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domingo, maio 15, 2011

A vida partilhada

É tudo acerca disso. Tudo tem a ver.

É a vida partilhada que vale a pena ser vivida.

As pessoas a quem nos damos, com quem nos deixamos...esse abandono é que nos dá...existência. Este dar-se, este partilhar é que nos torna vivos.

Não vou dizer que quem se estilhaça pelo mundo encontrou o elixir da vida. Às vezes partimo-nos. Isso é diferente de partilhar. Partilho algo que era meu e passa a ser teu e meu, mas parto-me quando perco aquilo que dou. Isso não é partilhar, mas estilhaçar-se. Mas sobre isso não interessa falar, hoje.

Vim aqui só para dizer que descobri que tudo tem de ser isto. Tudo deve, no ordenado conhecimento de si, encaminhar-se para o sentido único de todas as coisas humanas, que é a vida partilhada.

domingo, maio 25, 2008

2.30 p. m.

Se fosses um planteta, eras Plutão. Eu sei. Terias apenas um problema, aos olhos dos sábios, é que, segundo parece, Plutão não é um planeta. Mas a tua vontade é essa e só essa. Plutão.
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Também sei que se pudesses escolher à vontade o destino de uma viagem, ele seria o futuro. Mas repara, aos olhos do mundo, as viagens só se fazem no espaço, nunca no tempo...
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E também sei que se fosses um objecto, eras um tijolo; uma árvore, azeitoneira; uma fruta, pêra; uma flor, cravo; um animal, pirilampo; algo de comer, queijo; um instrumento, pandeireta; um som, pcóóó!; um livro, Morreste-me; uma parte do corpo, a cabeça; um desenho animado, o Popas; uma forma, a triangular; ou se fosses um número, que serias o 23...
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Mas não és. És tu.
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No entanto, sei que se te falassem num elemento, a tua resposta seria Ananias!, que se te pedissem uma música, entoarias Yesterday, ou que se te tirassem algo muito bom, então seria a comida da tua avó...
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Não sei se tudo isto continua a ser verdade...mas é o que me lembro. Eu jogava muito este jogo com a minha mãe, chamávamos-lhe O Psiquiatra, e um dia resolvi fazê-lo contigo...e tudo o que guardei está aqui. Tal como todas estas psiquiatrices ficaram cá no disco rígido, também tu ficaste, um dia tão importante, tão tudo e mais alguma coisa...
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E continuo para-mim-própria defendendo a minha teoria, em como o teu pai tem - de facto - as mãos frias.

domingo, abril 20, 2008

Cardiografia

Eram dias maus. Eram dias em que chegávamos a casa de rastos. Eram dias em que já não sabíamos o que era dormir, ou sossegar, ou ser normal. Eram dias em que não víamos outra hipótese senão ter força, senão apoiar-nos um ao outro, senão estar lá para ele. Foi um ano e pêras. Como o pai dele disse - e foi a afirmação mais verdadeira que ouvi até hoje - "Puta que pariu 2007". Mas sempre nos mantivemos juntos. Foi na dor, dor que não conhecíamos, que nos encontrámos. Foi essa dor quem soldou a nossa amizade. Estávamos lá. Para ele, para os outros, para todos, para nós. Para tudo. E hoje, amigo, o que ficou de nós? Desta maneira te falo, porque não sei mais nenhuma. Desta maneira te toco, porque esqueci qualquer outra. Desta maneira me mostro, porque não consigo de mais nenhuma. Diz-me, se souberes, é disto que somos feitos? [Smashing Pumpkins - Disarm]

sábado, janeiro 26, 2008

"Devia ser como no cinema / A língua inglesa fica sempre bem / E nunca atraiçoa ninguém"

...pergunto-me como seria, se fosse hoje...
...pergunto-me se algum dia me voltarei a sentir bem naquele abraço...
...pergunto-me onde estará o erro, esse tão grande erro...
...pergunto-me, sobretudo, quanto custará um braço torcido em cima de uma confiança reconquistada...
Não quero ir passear o Panic!. Está frio lá fora.
Cá dentro...só apodereço.