Um blog acerca da concordância entre o pensamento e o objecto do pensamento. Por meio de tentativas, erros e silogismos parvos, usando de alguma dialéctica, muita metafísica e muito pouco distanciamento crítico. O eu não existe. Mas os pijamas sim.
quinta-feira, outubro 25, 2012
Mas não é isto.
segunda-feira, março 21, 2011
Hoje, epiteto-te de outra coisa.
A possibilidade de cheirar pela primeira vez? De saborear pela primeira vez? De pela primeira vez correr, cozinhar, limpar, rebolar na relva? Ir apanhar amoras depois da chuva? O dom de ser e de aceitar e de participar da empresa maior e mais feliz de todas. A faculdade de respirar cada tempo, a faculdade de recomeçar.
Não imaginas como é bom estar aqui., sorriu ela. Como Pedro disse ao Cristo.
Hoje, epiteto-te de outra coisa. Uma outra coisa, maior que nós, que tudo o que conhecemos. Um ponto, um átomo, o mais pequenino de todos. Aquele que é mais verdade que o sol. Que vinha antes do princípio, e que eu guardo no bolso. A sombra da sombra da sombra mais branca e mais redonda de todas. O Mosteiro Invisível que cabe inteiro num adenoma da sela turca.
Deus, na minha casa.
quinta-feira, maio 28, 2009
sóis ao longe
quinta-feira, abril 23, 2009
Hino à minha liberdade
quinta-feira, março 19, 2009
Graça.
- Amanhã vai doer muito. Mas o mundo dói mais que um dreno.
E então senti alguém pôr o dedo na ponta do meu nariz, antes de o tentar achatar como se isso resolvesse o meu nariz empinado. E então soube.
Há no mundo Graça, verdadeira Graça. Afinal, o melhor que aprendi no hospital foi a respirar fundo...e recomeçar.
terça-feira, março 17, 2009
Inspirar, Suster, Mandar fora.
E eu espero.
Primeiro pelo dia, que se adivinha no céu madrugador que se espraia acolá, depois pelo pequeno-almoço - sempre carcaça com doce e chá - trazido pela enfermeira loira que nunca disse o nome, depois pela mãe, que a todo o minuto "deve estar a chegar", depois pelo resto do dia, sempre igual, e depois a noite já chegou sem passar cavaco às tropas e não é preciso esperar por ela, só pelo sono que nunca chegou, nunca.
Primeiro a Elsa, com o seu analgésico sorriso de criança, por volta das seis. Depois o Délio, às 7h, e com um problema engraçadíssimo com o sol arrebatador que teima em entrar. O Hélder há-de vir todas as tardes. A Daniela, para responder a tudo e informar de tudo. O Dr. Pedro vem antes ou depois do Hélder, ou antes e depois do Hélder, ou sempre que lhe apetecer, com o sorriso - tão raro! - mais bonito deste hospital. E o Dr. Martelo, a ética e a dignidade, a falar baixinho para só eu ouvir, enquanto abre ou espreita ou desinfecta, ou as outras coisas todas que eu nunca quis ver.
Por todos eles eu espero. Por eles e por muitos outros não precisam que os nomeie aqui. Pessoas. Que esperam pela minha reacção, pela minha força, pela minha vontade de continuar, ou pela ausência da reacção, da força e da vontade. Mas esperam. Sempre com um sorriso.
"Sim, Ana, espera só um bocadinho."
Eu espero.
O dia arfa, lá fora. Com tudo o que era meu.
Eu espero.