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domingo, dezembro 20, 2009

"Velho, velho, velho"...

Olho-os. Eu cresço, eles envelhecem. Os anos cobrem-se com a pele como um cobertor, e eu vou contando as dobras.

Daqui é como se não mudassem. E por mim era sempre assim. O meu pai embaraçado sem dizer, nunca dizer o que sente. Em todos os Lethal Weapon, Roger Murtaugh (Danny Glover) dizia "I'm too old for this shit". E eles vão estando velhos o suficiente para as coisas.
Vergílio dizia que "ser velhor é ir sendo pouco", mas eles não são esses velhos. São aqueles que já fizeram, já sabem, têm, e agora olham. Observam. Contemplam. Uns, com "iogurtes com pedaços" entre os dedos que ainda estão longe da reforma. Outros, que silenciam o espaço como que por magia quando falam.

Diz-se que vai nascer um Menino agora por esta altura. Aqui nasce assim, e eu não conheço outro. No tempo que passa como a vela que arde. É aquele fogo que nos dá sentido... Queria ter uma que não morresse nunca!

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Tempo de Natal

Tempo estranho. Muito estranho. Estranho porque toda a gente fala a mesma língua, mas ninguém se entende. Ou entendem-se, assim: $&=@!0{¨#. A parte mais engraçada é que o Natal não é nada disso.
Bem, o Natal é um amontoado de presentes, de azevinho, de velas, de velhotes barrigudos, de anúncios irritantes, de jantares, de postais, de sorrisos, de abraços, de visitas, de promoções, de renas, de missas. Mas há quem diga Não, não, na realidade o Natal é a festa da família, da solidariedade e dos presentes, das árvores decoradas, dos pensamentos bonitos. Alto lá, dizem outros, acima de tudo, o Natal é o mundo do Pai Natal, um velho gordo e bondoso, com barbas, sempre com um saco às costas e um fetiche por chaminés. Na realidade, no meio desta enorme confusão, alguns são capazes de conhecer o sentido original do Natal, creio eu. Aquela imagem, o sentido etimológico, a origem histórica... Só que a realidade é tão diferente! A verdadeira realidade do Natal é um assombro. O mais incompreensível não é que o Senhor que fez o Universo tenha nascido como um bebé, tão frágil e vulnerável quanto cada um de nós, morrido na cruz e ressuscitado. O mais espantoso é que Ele o fez por mim, pela minha vida. Esta é a realidade incontornável. O nascimento de Cristo é a realidade que muda toda a minha existência, em todos os meus dias.
Afinal o que é o Natal, pergunto-me. Sinceramente: Não sei! Um mistério que me escapa. Naquilo que é evidente, algo muito simples: um bebé que nasce num local pobre. Mas como pode este simples facto ecoar assim há 2000 anos? Não sei, man! Mas acredito!
Outra coisa de que muitos se queixam: é uma estucha. Epah, cansa imenso! As visitas, os presentes, as comidas, as sobremesas e - ai! - a família! E gastamos tanto dinheiro! É uma trapalhada, uma con-fu-são! Nem se consegue viver em paz. Porquê? Porque é Natal. É assim desde o início, minha gente. Quão cansada não estaria Maria, carregando com uma barriga de oito meses, fazendo centenas de quilómetros até Belém? A despesa da viagem, do nascimento, da ida para o Egipto? A confusão do recenseamento, a trapalhada do estábulo?
Canseira, despesa e trapalhada estão no centro do mistério que nos leva - ainda hoje - a celebrar o Natal. Porque o Deus sublime quis vir nascer como um bebé. Porque o Senhor do Universo pegou em toda a sua glória e a escondeu naquele estábulo. O Natal só existe porque o Verbo de Deus quis levar com uma enorme canseira, despesa e trapalhada pela nossa salvação.
Por isso hoje, quando corremos, gastamos e sofremos por causa do Natal, ao menos lembremo-nos do que Ele e Sua Mãe correram, gastaram, sofreram. Por nós. Participar no Natal é amar o próximo, mudar de vida, entrar no amor. O Natal não é canseira, é amor. O amor cansa. Mas se não amarmos, se não conseguirmos amar ou mesmo que não o queiramos fazer, ao menos participemos do Natal repetindo a canseira, a despesa e a trapalhada que foi desde o início. A canseira por causa dos outros é o primeiro passo para chegar ao Natal.
Com uma mãozinha do João César da Neves.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Pós-Natal '07

Começo a postar em 2008 com o post nº 150! Antes de mais, feliz Ano Novo para todos! Gostava de deixar aqui um texto que escrevi, creio, a dia 26 de Dezembro... "Este Natal houve muita coisa que me entristeceu. Este Natal...teve o seu quê de extenuante. Este Natal...foi definitivamente diferente. ** "-Bom Natal e Feliz Ano Novo! -Diz-me, o mais concretamente possível, por favor, o que é para ti o Natal? -É tar ca família, e dar amor e carinho..." A Sociedade precisa de marcar uma data para acarinhar os que não conhecem carinhos, amar os que nunca viram o Amor...precisar de marcar uma data para jantar à mesma mesa com aqueles com quem embirra todo o ano. É assustador. E triste. Não consigo perceber cmo é que as pssoas se sentem felizes assim. Como é que fazem tão garnde festa por ser Natal, quando na prática apenas se arrastam numa rotina mais um ano. Como podem viver este "natal" tão "festivo" só por estarem juntos?? Ou por outra: porque não se lembram disso o resto do ano? Talvez não fizessem uma festa tão grande na época em que todos são escravos do dinheiro se vivessem o verdadeiro Natal dentro de si próprios. Talvez a festa vivesse neles, e se apercebessem de que não precisam de mais nada. Só Cristo basta. O sentido do Natal - Comunidade esbarrou comigo, a meio de Dezembro, graças ao meu amigo Válter Ferreira. Então vim à procura do Natal - Família. E percebi que ele não nasce aqui. Nem à mesa. Nem sequer na mensagem de Natal de D. José Policarpo a meio da Consoada. Nasce...em cada um dos outros. Viaja na relação que cada um tem com o próximo. E isto é extremamente importante no seio familiar. Como Newton diria, é um par acção-reacção. Eu provoco, tu acedes, nasce o Natal em nós para dar a outros, provocar neles algo mágico. É isso que enche a casa e acende as velas e nos faz cantar. E é tão bonito! Só tendo este Natal por base poderemos partir para as ruas e cheirar o Natal no seu todo, na noite luminosa e prédios enfeitados e gigantescas árvores de Natal... E só vai ser possível...quando tivermos em nós acesa a memória de que Jesus Cristo, o Salvador, Rei do Universo nasceu pobre no lugar onde vivem os animais. Fica a lista dos melhores presentes deste ano:
  • A confiança do Miguel;
  • A notícia do Daniel;
  • A lágrima da Margarida;
  • O choro da Ana;
  • O abraço do Válter;
  • A conversa com o Pedro;
  • A amizade da Marta;
  • As palavras da outra Ana;
  • A presença da Alice.