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domingo, maio 13, 2012

Última Lúcia


O grupo de teatro de que faço parte leva a cena durante o mês de Maio a peça Os Pastorinhos de Fátima. É da autoria de Eurico Lisboa (Filho), uma pessoa que conheceu toda aquela história bem de perto.
Ontem, no entanto, foi a última vez que pisei o palco para encarnar a Lúcia. Eu dei-lhe corpo, voz. Tive 10 anos por algumas horas, alguns espectáculos. E ela deu-me tudo o que ela foi. A sua confiança desmedida...que não era cega mas segura, de quem sabe bem em quem pôs a sua confiança. Um amor que a fazia querer entregar-se sempre, de tudo o que pudesse, que implicava obedecer sempre. Uma pequenez verdadeira, a de uma verdadeira pobre do Evangelho. Calma, medição, responsabilidade. Oração constante.
Ontem guardei aquelas roupas, aquele lenço. Alguém há-de continuar o que eu comecei. Mais espectáculos se seguirão, e depois acaba este projecto. E a Lúcia, bem como todo o Mistério de Fátima, será o que sempre foi. Para alguns, só uma história, ou uma brincadeira para iludir os crentes. Para outros, tão mais que isso. Fica ao critério de cada um. O que ninguém poderá nunca negar é a Graça com que aqueles três pequenos - e com eles todos os homens - foram abençoados. O que, apesar de tão pequenos e analfabetos, conheciam de Deus, da dor, do que queriam ser e a quem se queriam dar...é inegável.
Não sei se importa tanto acreditar ou não que a senhora toda de luz lhes apareceu há 95 anos. Importa saber quem queremos ser. E se a escolha for a pequenez, a mansidão, a confiança, a entrega total da nossa alma a este Invisível, então aqui teremos estes pequenos beatos (e um beato é quem é feliz, bem-aventurado, porque se encontra na presença de Deus) que têm tanto para nos contar.

Acerca dos espectáculos e para ver algumas fotos...clicar aqui.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Anjos e Magos

É incrível. Era preciso estarem lá, para que vos explicasse.

Há sempre uma parte do texto que ainda não tínhamos ouvido. Pelo menos, não assim. Há sempre algures no texto qualquer coisa especialmente para nós. Há sempre um pormenor, uma palavra, uma expressão facial que nos toca, ou nos faz rir, como ainda não tinha feito nos espectáculos ou ensaios anteriores. É incrível como nós, ouvindo tudo pela 600ª vez, voltamos a sorrir, voltamos a gritar ou a chorar. Voltamos a vir cansados, despenteados pelo mundo lá fora, hoje mais vulneráveis ou mais irritados, e ainda assim tudo se repete: as falas e o choque, as gargalhadas e as palmas, bem como tudo o que temos de fazer para que a mensagem passe: quer estejamos bem ou mal, aflitinhos ou com sono. Tudo para que Alguém nasça algures no público, de todas as vezes.

Incrível como nós, todos tão diferentes, ficamos todos imóveis, espectantes, atrás dos panos, na mesma parte do teatro que já todos sabemos de cor, como se tambem nós o fizéssemos, como se colectivamente nos apaixonasse aquele gesto pela primeira vez. E as pessoas vêem. Vêm, aplaudem, vão embora. Às vezes voltam no dia seguinte. Vêem três homens milimetricamente ajoelhados num chão de azulejos, umas roupas estranhas, dois anjos, um cenário. Não vêm a multidão escondida, sentada e sobretudo de pé, desorganizada e espectante.

Não vêem o senhor que a todos cativou. Aquele senhor pequenino, já velhinho, com uma pronúncia estranha, que a todos conhece sem que ninguém saiba - porque não é preciso saber. Aquele senhor que guarda e cuida um génio, condignamente, humildemente. Aquele senhor que sonhou e montou e passou. Que não chegou atrasado, nem parte cedo de mais. Aquele senhor que também foi São José, que também foi Anjo, que tambem foi Casimiro, que também foi Caifás e Pedro e Judas, e o cego de nascença. Que observa, que ama assim como ele sabe. Que, a cada vez que o procurámos, nos ensinou a cultura, a alegria, o temor, mas sobretudo, a simplicidade de Deus.

Anjos e Magos ainda em cena, 18 e 19 de Dezembro, nas Patameiras.

terça-feira, julho 20, 2010

Assim Partiremos

"Partimos. Vamos. Somos."
O Nogui pediu-nos que mostrássemos ao mundo de que é que somos feitos. Então toma, mundo. A nossa convicção de que esta não é a nossa obra, mas a obra de Deus. A nossa vontade de ser onde estamos e ao mesmo tempo chegar mais longe, muito mais longe, tão mais longe. A faculdade que temos de conhecer, quando sabemos que "Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei para lá.".
Estamos novatos e não temos experiência. Temos medo e sentimos amor. Já sabemos como funciona mas continuamos sem saber desenvencilhar-nos sozinhos. Mas subimos ao palco e ela está lá. Como em todos os nossos projectos. Vem da entrega, da pequenez. Vem de dentro. Mas é uma luz que está lá sempre.
E sim. Provavelmente, um dia teremos de nos separar das nossas recordações, para podermos estar verdadeiramente mortos, verdadeiramente livres. Mas hoje, especialmente hoje, é tempo de as fazer.

quarta-feira, novembro 04, 2009

BANG BANG YOU'RE DEAD

(Josh) O que é isto? Quem está aí?

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(Michael) Então fazes da tua cara uma máscara.

(Katie) Uma máscara que te esconde a cara.

(Mattie) Uma cara que esconde a dor.

(Jessie) Uma dor que te come o coração.

(Emily) Um coração que ninguém conhece.

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Texto William Mastrosimone
Tradução Sofia Torres de Carvalho