quarta-feira, janeiro 23, 2008

Pensamentos.

Às vezes caio neste vício de pensar.
E quando estou a caminhar numa rua, sozinha, tenho tendência a pensar sobre como pensarão as pessoas que, como eu, caminham sozinhas. E se elas estiverem a pensar sobre como eu penso quando caminho sozinha? Estarei realmente a caminhar sozinha, ou será que não?
Não seria mais fácil, chegar-me ao pé das pessoas que são afinal outras e perguntar directamente, sem rodeios:
- Em que é que estás a pensar?
E no fim deixo-me a caminhar sozinha, encolhida na pequenez do meu eu.
webdreamer

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Pretérito Imperfeito

Quando as luzes se apagavam E a festa acabava E tudo tomava um gole de silêncio E a noite adormecia ela própria Tu costumavas ficar Levavas-me aos jardins da cumplicidade Onde habitava aquele nós Cabia por inteiro no teu peito Cabíamos no mesmo sonho Na mesma rotina sempre nova Sempre melhor Costumavas ficar e Despedir-te naquele teu olhar esfíngico Que sempre escondeu, Qual cortina impenetrável, Todos os teus pensamentos Todos os teus desejos Os teus mais profundos segredos Sem nunca conseguires dizer "Adeus!" Costumavas ficar e Prometias voltar e Fazias-me sonhar e Eras o mundo Eras o mundo a que eu queria voltar Por mais voltas que desse no infinito Por mais viagens que tivesse de fazer Eras a sobremesa Que completava cada dia E o fazia saber melhor.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Tu gostas de mim?

"(...)Talvez fosse já efeito daquela natureza angélica que se apoderava de mim. Estou em crer que fui "enfeitiçado" desde o início. Sentei-me dizendo um "chega-te para lá, múda!" Ela afastou-se sem dizer nada.
-Queres um cachorro? - perguntei-lhe.
Ela abanou a cabeça e respondeu:
-Esse é teu.
-Tenho muitos! Além disso, já estou cheio - respondi.
Como ela não fizesse qualquer gesto, pus o saco nas grades, entre os dois. A luz da montra era fraca e a miúda estava sentada na sombra, de modo que não podia ver-lhe as feições. Percebi, no entanto, que estava muito suja. Reparei que segurava uma boneca de trapos debaixo do braço e que, no colo, tinha um velho estojo de pintura partido.
Ficámos ali sentados durante meia hora ou mais, em completo silêncio; durante esse tempo apercebi-me que ela fizera um movimento com a mão na direcção do saco dos cachorros mas não quis olhar nem dizer nada para ela não desistir. Ainda hoje me lembro do intenso prazer que senti quando ouvi o som da côdea do cachorro a estalar-lhe entre os dentes. Um ou dois minutos depois tirou o segundo e depois o terceiro. Meti a mão no bolso e tirei um maço de Woodbines.
-Importas-te que fume enquanto comes, miúda? - perguntei.
-O quê? - perguntou assustada.
-Posso dar uma passa enquanto comes?
Ela agitou-se, pôs-se de joelhos e olhou-me de frente.
-Por que é que me perguntas isso?
-É que a minha Mãe tem a mania da boa educação. Além disso ninguém deve deitar o fumo na cara de uma senhora que está a comer - respondi.
Olhou por momentos a metade da salsicha que segurava na mão e fixando-me, disse:
-Porquê? Tu gostas de mim?
Acenei afirmativamente com a cabeça.
-Então podes dar a tua passa - e sorriu, ao mesmo tempo que metia o resto da salsicha na boca.
Tirei um cigarro, acendi-o, e estendi-lhe o fósforo para ela apagar. Assoprou e fiquei todo salpicado de bocadinhos de salsicha. (...)"
Fynn, Senhor Deus, Esta É a Ana

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Quero estar lá fora.

Sono.
Uma chuva
Uma noite
Um presente dado de improviso
Um choque, uma surpresa
Um sorriso... .
A rotina
O cansaço
O dever
A urgência de um só gesto
De um simples gesto
A carência de um gesto
De apenas um único gesto
De um momento
Que mude a vida
Que lhe dê cor
Que lhe dê chuva
Que lhe dê sabor
Que a faça valer a pena...
...nem que seja
No espaço de tempo
Em que vive uma gotinha.
4000. A ti.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Da felicidade ao sofrimento é somente um passo

Às vezes, o corpo fica como que inerte, irresoluto, impotente, perante o soluçar do coração. A alma eleva-se, some-se para bem longe. Apenas o corpo soluça sobre si próprio.
O Inverno invadiu a Natureza como um conquistador. O Outono perdeu-se em papeis e fotografias e memórias antigas, e de repente, está frio. Tão frio que tudo começa a gelar. A alma, cansada, adormeceu. E a neve...a neve apanhou-a desprevenida. Mas se adormeceres sobre a neve...não sentes chegar a morte.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Eis-me

Eis-me Tendo-me despido de todos os meus mantos Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses Para ficar sozinha ante os silêncios Ante o silêncio e o esplendor da tua face Mas tu és de todos os ausentes o ausente Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras E o teu encontro São planícies e planícies de silêncio Escura é a noite Escura e transparente Mas o teu rosto está para além do tempo opaco E eu não habito os jardins do teu silêncio Porque tu és de todos os ausentes o ausente
Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto

Como raio vou saber se eu sou eu??...

Escrevo hoje coisas que amanhã poderei achar estúpidas e sem lógica. Tenho ideais, crio as minhas filosofias de vida, diferentes das que já tive e, eventualmente, diferentes das que terei no futuro. Não paro, estou sempre a evoluir. Não paro, nunca hei-de parar até ao dia em que morrer. E aí será tudo claro, não vou precisar de continuar. Assusta-me a ideia de que a vida, o tempo não param para descansar um pouco. Não sei o que o futuro guarda e não me posso preparar para o enfrentar, para o ver, para o viver. Mas talvez seja apenas o meu cansaço a falar. Porque de outras vezes encaro tudo o que me espera como um mistério curioso...e divirto-me a desenhar o meu futuro e ir vivendo-o um dia de cada vez. Mas não agora. Agora queria...saber já. Saber já as respostas que hoje me esmagam, me frustram por não as ter. Isto é apenas agora; no entanto...futuramente...não pensarei o mesmo certamente. Se nós mudamos constantemente...o que é que nos dá continuidade? O que é que faz com que eu seja sempre eu? Aprendi que mudamos sempre, posto tudo aquilo que vivenciamos...ganhamos novos pontos de vista sobre as coisas e criamos uma vista de pontos...passamos a ver esquilhões de pontos de vista....é isso que é crescer... ...Sendo assim nunca poderemos dar uma definição de nós próprios, daquilo que somos, porque nunca somos os mesmos... Mutantes. Talvez. Vou dormir.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Um gesto.

Um gesto. Um momento. Algo necessário. Algo urgente.
Três
palavras:
Gosto Muito de Ti!
É tão fácil...tão puro...tão bom...porque temos tanto medo uns dos outros??

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Pós-Natal '07

Começo a postar em 2008 com o post nº 150! Antes de mais, feliz Ano Novo para todos! Gostava de deixar aqui um texto que escrevi, creio, a dia 26 de Dezembro... "Este Natal houve muita coisa que me entristeceu. Este Natal...teve o seu quê de extenuante. Este Natal...foi definitivamente diferente. ** "-Bom Natal e Feliz Ano Novo! -Diz-me, o mais concretamente possível, por favor, o que é para ti o Natal? -É tar ca família, e dar amor e carinho..." A Sociedade precisa de marcar uma data para acarinhar os que não conhecem carinhos, amar os que nunca viram o Amor...precisar de marcar uma data para jantar à mesma mesa com aqueles com quem embirra todo o ano. É assustador. E triste. Não consigo perceber cmo é que as pssoas se sentem felizes assim. Como é que fazem tão garnde festa por ser Natal, quando na prática apenas se arrastam numa rotina mais um ano. Como podem viver este "natal" tão "festivo" só por estarem juntos?? Ou por outra: porque não se lembram disso o resto do ano? Talvez não fizessem uma festa tão grande na época em que todos são escravos do dinheiro se vivessem o verdadeiro Natal dentro de si próprios. Talvez a festa vivesse neles, e se apercebessem de que não precisam de mais nada. Só Cristo basta. O sentido do Natal - Comunidade esbarrou comigo, a meio de Dezembro, graças ao meu amigo Válter Ferreira. Então vim à procura do Natal - Família. E percebi que ele não nasce aqui. Nem à mesa. Nem sequer na mensagem de Natal de D. José Policarpo a meio da Consoada. Nasce...em cada um dos outros. Viaja na relação que cada um tem com o próximo. E isto é extremamente importante no seio familiar. Como Newton diria, é um par acção-reacção. Eu provoco, tu acedes, nasce o Natal em nós para dar a outros, provocar neles algo mágico. É isso que enche a casa e acende as velas e nos faz cantar. E é tão bonito! Só tendo este Natal por base poderemos partir para as ruas e cheirar o Natal no seu todo, na noite luminosa e prédios enfeitados e gigantescas árvores de Natal... E só vai ser possível...quando tivermos em nós acesa a memória de que Jesus Cristo, o Salvador, Rei do Universo nasceu pobre no lugar onde vivem os animais. Fica a lista dos melhores presentes deste ano:
  • A confiança do Miguel;
  • A notícia do Daniel;
  • A lágrima da Margarida;
  • O choro da Ana;
  • O abraço do Válter;
  • A conversa com o Pedro;
  • A amizade da Marta;
  • As palavras da outra Ana;
  • A presença da Alice.

domingo, dezembro 16, 2007

Arô...

Isto é...como um mundo só meu.
É só meu e pronto.
É um mundo onde posso entrar e sair...mas nem por isso ele deixa de cá estar...sempre pronto para o login.
Tem as minhas cores, tem o meu estilo...tem memorizadas as letras que escolhi se agruparem umas às outras.
Tenho-me apercebido de que, cada vez mais, estou viciada nisto... Viciada...mas nunca num sentido negativo. Talvez viciada não seja de todo a melhor palavra. Também é nisto que assenta a minha rotina...arranjar sempre a melhor palavra para melhor descrever o que penso e sinto...para que seja o mais verdadeira possível comigo e com o leitor. Sim, já que este exercício passa, antes de tudo, pela introespecção. Pela introespecção religiosamente acompanhada pela escrita, espelho da psique. É...um ponto de fuga. É uma folha limpa num caderno de desenho. Um armazém de sentimentos que se torna num canal de "notícias" sempre que alguém novo me visita! Porque gosto de partilhar... Partilhar! Sempre! Acredito que tudo o que toda a gente diz sobre qualquer coisa pode sempre ser útil a outrem. Por isso publico. Tenho o meu mundo aberto a quem quiser entrar. Gosto que haja feed-back. Que deixem as patinhas...os pijamas. É sempre positivo haver um novo olhar sobre nós mesmos. Eu acho. [Também é por isso que as pessoas procuram psicólogos, creio. Precisam de um novo olhar sobre si mesmas. Quem canaliza esse olhar é o psicólogo, quem olha terá de ser sempre o próprio. Penso eu. Somos todos psicólogos uns dos outros. Embora uns sejam bem mais uteis que os outros...e por isso recebam dinheiro. Esses são mesmo bons. Os outros, os que não recebem, ou são bons ou não, mas acredito que sejam todos psicólogos.]
Procuro aqui companhia...sobretudo a minha. Acompanho-me a mim mesma no meu caminho. Acho que isso é importante. Não nos perdermos de nós. Aqui têm, e sempre terão, o meu mundo, para todo o mundo...com um violentíssimo BENVINDOS mascarado por aquilo que me vai hoje, amanhã...ou depois...

sábado, dezembro 15, 2007

Meu...: X)

Quero amar-te. Exijo amar-te. Mas amar-te daqui. Deste meu mundo selvático e pantanoso. Porque sim, sou capaz de amar daqui. É isso que tens de entender. Não te amar daqui...seria querer a tua morte e a morte deste nosso alegre nós. Não nos quero a morrer. Quero que vivamos! Quero que amemos! Quero que cresçamos! Quero que cantemos! Quero...quero. E isto, eu posso. E tu também. Assim, sim. Sim?

domingo, dezembro 09, 2007

Acabou.

Foi cansativo. Mas foi mais um dos meus melhores fins-de-semana de sempre.
É espectacular. É o único lugar do Mundo em que vou trabalhar e saio nascida, nova, totalmente. Da cabeça aos pés com um manto de nova esperança e alegria.
É o único sítio em que sei que serei sempre benvinda. Eu e todos os que comigo trouxer.
É o único cantinho onde sei que terei sempre o meu valor, faça o que fizer.
É o único sítio que vi abarcar tantos quantos lá quiseram entrar. Nunca ninguém que se nos quisesse juntar ficou do lado de fora. Nunca ninguém que quisesse fazer parte foi escorraçado ou mandado fora.
E o ponto é esse mesmo. É preciso é querer fazer parte.
Durmo hoje...com vontade!

quarta-feira, dezembro 05, 2007

"Tu amas-me?"

Quem és tu, que ousas atravessar-te assim no meu caminho, sem passar cavaco às tropas???
Por quem te tomas, achando-te no direito de passar-me tamanha rasteira?
O que te faz acreditar que podes ir embora tão depressa quanto tão repentinamente chegaste??
Poderia debruçar-me a noite toda em perguntas...mas só há mesmo uma que quero verdadeiramente ver respondida... Poderia demandar saber de onde viste, porque vieste, porque és assim, porque me pões nesse lugar, porque ocupas este lugar...mas nada disto é crucial, nada disto é urgente, nada disto me alimenta.
Tenho uma única, uma e uma só pergunta para te fazer. Daquelas perguntas que merecem vénias por serem perguntas tão importantes. Daquelas perguntas que alimentam, que dão fogo à vida e vontade de viver. Acredito que sejam as únicas perguntas verdadeiras. As únicas que respeitam a profunda e simples razão da existência das perguntas. Só tenho uma pergunta para ti. Uma pergunta e um sorriso. Encontrá-los-ás sem esforço na tua memória. Se precisares de ajuda...Jo 21, 16-17.
"(...)Who are u? who are u? For how long How strong do I still have to be? How come you mean so much to me?(...)"

terça-feira, novembro 27, 2007

poligónica forma pró-dislate

Penso que podemos falar em dependência.
Ela sofria verdadeiramente enquanto ele não chegava a casa e se deitava a seu lado. Ela precisava de o proteger para estar protegida. E este voltar a casa é claramente figurado. Para ela, estar em casa era estar bem, era entrar no habitat, aquele lugar onde se é feliz e todas as verdadeiras necessidades são satisfeitas. E o "ele não chegar a casa" era ele não dizer nada ao voltar do treino, não tocar à porta ou mandar uma mensagem. Ela precisou, durante muito tempo, que ele entrasse quase totalmente na sua rotina. Assim, era-lhe, a ela, fundamental saber onde ele se encontrava ou saber o porquê de ele não dizer onde estava. Ela dava-lhe liberdade, é certo - ela morreria se tivesse ali um pássaro na gaiola! - mas dava a máxima importância a toda a informação que podia obter.
Ela não descansava se ele não chegava a casa e não se deitasse a seu lado. E esta parte do deitar lado a lado também era importante - mas não tanto. Porque o essencial é que ele voltasse para casa. Se quisesse dormir no chão ou no sofá e os preferisse à pele dela...não faria mal - porque havia sempre o amanhã, em que, por certo, tudo seria resolvido. O facto de ele se deitar a seu lado era o final feliz daquilo que já era, por si só, perfeito.
É que viviam no mesmo mundo. No mesmo mundo de paralelismos, confusões, sentimentos, impulsos. Só viverem ali os dois e partilharem toda aquela informação era, de facto, perfeito. Violento, assustador. Mas perfeito.
Ela precisava de o sabber ali para estar sossegada, precisava de o aconhegar para ter a noite completa. Ela precisava que ele precisasse. Ela necessitava da sinceridade dele como de pão para a boca. E a sinceridade dele toldava a felicidade dela. Porque, segundo parecia, a dependência era comum, ou melhor, era recíproca.
Ele precisava dela.
E isto...isto era perfeito.

terça-feira, novembro 20, 2007

Velhadas

Há coisas que vão ficando melhores com o tempo. Algumas, quanto mais o tempo passa, mais gosto delas!
Uma delas, é a AMIZADE. Vamos amadurecendo juntos, ao longo dos tempos. Sejamos grandes ou pequenos. E continuamos construindo os nossos mundos.
Outra, é a p a c i ê n c i a. Acho-a extremamente importante, no carácter de um humano. E cada vez mais urgente...
Outra, são os bons livros. É que têm aquela magia de nos ensinar coisas novas, quantas vezes mais os lermos...e de se tornarem cada vez mais nossos e mais especiais.
Outra, é o Outono. Cada vez mais raro. Cada vez mais especial.
Outra são os carros. Adoro carros antigos! Mais antigos ou menos antigos: têm é de cheirar a antigo! A gente passa na rua e...e eu fico a olhar!

Aqui fica um dos que me prendeu , em Portimão, a um domigo de manhã...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Não te rias! Epah espera...eu consigo. Opaaahh...

Estou a aprender!
Devagarito e sozinha...mas estou!
"Sozinha"...ele de vez em quando ajuda...mas só de vez em quando!
Ele sabe as notas, eu vou decorando os acordes...algures lá para o meio encontra-se algo parecido com uma melodia...=)

sexta-feira, novembro 09, 2007

Os que entendem como eu as linhas com que me escrevo reconhecem o que é meu em tudo quanto lhes devo

Queria trazer-vos uma foto, hoje.

E escolhi esta.
Praia da Lota, Algarve, Verão '07
Porque há coisas que valem a pena. Porque há pessoas que, por muito tempo que passe, ainda nos surpreendem. Porque se não tivermos os olhos abertos...há sempre alguém que no lo faça. Porque hão-de haver sempre boas memórias que ainda têm mais um bilhete para um sorriso.

Sim, há muitos daqueles dias em que chegamos à noite e chamamos nomes feios ao dia, enchemo-lo de carga negativa, e dormimos qualquer coisa...mas também os há recheados, menos ou mais, de coisas boas, entrelaçadas em coisas más... Agradeço hoje aos meus verdadeiros amigos. Aqueles que já foram e ao que restam comigo. E espero aqueles que hão-de vir. Umas certeza lhes dou: serão recebidos com um sorriso. Mais ou menos desageitado, um sorriso. Mais ou menos bonito, um sorriso.

P.S.: Título: Poeta castrado, não!, J. C. Ary dos Santos in Resumo

quinta-feira, novembro 08, 2007

Não gosto disto!

É que não gosto mesmo!!
Digo mais: estou verdadeiramente indignada!!
Mas qé isto??! Perfeitamente inadmissível!
Onde andam as chuvadas? E as poças? E as luvas? E os gorros? E as botas, e a neve, e os cachecóis, e as trovoadas, e as sopas quentes, e os chapéus de chuva, e o nevoeiro, e as camisolas de gola alta, e os espirros????
Onde anda tudo aquilo que nos faz aproximarmo-nos uns dos outros, querermos manter o calor dentro dos casacos, os narizes frios e avermelhados, tudo aquilo que traz a cor intensa do autêntico Outono?

Vejo roupas leves, vejo pessoas que ainda não perceberam a distância a que gritam umas das outras, vejo tudo muito com pés no chão...vejo as folhas nas árvores. Vejo gelados à venda. Não gosto disto. Hoje, as castanhas à saída do metro nao cheiram a castanhas. Era a única coisa de que eu sempre gostei nas castanhas: o cheiro. Assim, o Outono não sabe a Outono. Não apetece. Não chama na voz da chuva que bate à janela. Não faz levantar para mais um dia - mesmo que ainda seja de noite quando acordo. Não faz levitar, nas asas do vento que arrasta, a caminho de seja onde for. Não gosto. Tenho dito.

domingo, novembro 04, 2007

Bon voyage...

Fui mergulhar à Zambujeira do Mar. Passei por Marrocos e espreitei o Grande Cabo. Visitei Londres, explorei Laos. Passei uns bons momentos em Los Angeles e fui trincar a Big Apple... Dar um mergulho à Etiópia e sobrevoar o Chile. Daí, directamente para a China, antes de querer ver São Francisco e vaguear por Cuba... mas ver mesmo. Com olhos de ver.
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A isto eu chamo...Google Earth.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Penso-te.

Penso-te. Porque não estás aqui. Porque não te posso tocar ou reconhecer. Porque não me posso agarrar a ti e dizer-te o quanto preciso de ti. Porque decidiste partir. Porque não estás aqui. Sinto-te. Porque foste sem explicar, porque não te despdiste, porque não cheguei a pedir-te desculpa. Porque choro e sei que se aqui estivesses ficarias atarantado sem saber o que dizer. (...) Porque não me deste tempo de me apaixonar por ti? Porque não me deixaste conhece-te? Porque não quiseste ficar? Porquê escolher ir? ...Porque não tiveste juízo? ________________Não serias tu. Acho que percebo. Havias-de querer tranquilizar-me. Sei que estás bem, agora. Imagino-te à mesa com Fermat, em conversa amena. Uma fatia de bolo do vinho do Porto e um café meio cheio à tua frente. Sim, pai, estás bem _____________ agora. Três mil visitas. Dedico-tas a ti.