quinta-feira, maio 01, 2008

Chuva.

Se a deixarmos, ela liberta-nos.

Dos nossos casulos, dos nossos ridículos (- uns mais, outros menos) quotidianos.

Se nos libertarmos, ela lava-nos.

Deixa aquele lindíssimo aspecto na rua, na serra, na janela.

Tenho saudades dela. De andar por aí à solta, debaixo de uma chuvada.

Ela faz a diferença. Mas só se deixarmos.

segunda-feira, abril 28, 2008

Crepes!

Não foi cansativo...foi extenuante!
Foi o dia todo: dás-me um guardanapo?, este crepe é com quê?, chega para lá!, espera um bocadinho!, precisamos que alguém vá comprar talheres (ou óleo, ou ovos, ou nutella, ou...)!, façam uma fila!, o que é que vai ser?, já te dei troco?, qual é o teu turno?, quanto já temos?, podes ir lavar isto?, epah, não tens moedas?, volte sempre!.
O dia todo de pé. Mentira: foram só dez horas. Dez horas a fazer sair crepes, uns atrás dos outros, às vezes com duas crepeiras ao mesmo tempo. Ou a inventar uma massa assim à pressão. Ou a atender alunos com medo do toque de entrada. Ou a encher crepes de chocolate, de caramelo, de doce, de queijo, de fiambre, de salsicha, de açúcar, de canela, de chantilly. Éramos muitos. Funcionávamos bem, de uma maneira geral.
Estávamos tão habituados à gritaria, ao nervosismo, às respostas tortas, que quando alguém fazia um elogio, ganhávamos o mundo. Quando pedíamos em vez de mandar, quando agradecíamos em vez de embirrar, e recebíamos um sorriso no meio do caos...o tempo parava(mas só um bocadinho...). Acho que estas coisas nos fazem bem: obrigam-nos a contar uns com os outros. E a lavar a sala, mesmo que o balde da esfregona se entorne vezes sem conta, nas mãos dos rapazes.
Foi muito cansativo. Mas soube bem.

domingo, abril 20, 2008

Cardiografia

Eram dias maus. Eram dias em que chegávamos a casa de rastos. Eram dias em que já não sabíamos o que era dormir, ou sossegar, ou ser normal. Eram dias em que não víamos outra hipótese senão ter força, senão apoiar-nos um ao outro, senão estar lá para ele. Foi um ano e pêras. Como o pai dele disse - e foi a afirmação mais verdadeira que ouvi até hoje - "Puta que pariu 2007". Mas sempre nos mantivemos juntos. Foi na dor, dor que não conhecíamos, que nos encontrámos. Foi essa dor quem soldou a nossa amizade. Estávamos lá. Para ele, para os outros, para todos, para nós. Para tudo. E hoje, amigo, o que ficou de nós? Desta maneira te falo, porque não sei mais nenhuma. Desta maneira te toco, porque esqueci qualquer outra. Desta maneira me mostro, porque não consigo de mais nenhuma. Diz-me, se souberes, é disto que somos feitos? [Smashing Pumpkins - Disarm]

terça-feira, abril 15, 2008

Snooker

Simplesmente...gosto!
Traz-me à memória tardes quentes de Verão e uma voz impaciente Põe o taco mais para aqui, ou Põe o taco mais para lá, ou Joga àquela, ou Não vás por aí, ou Baixa-te mais, ...
Os seus dedos carnudos passeavam no veludo verde como as faúlhas dançavam no vento...e a sua paciência parecia estar quase a esgotar-se...mas nunca se esgotou. Saudades. Daquilo que, mais que certo, não volta mais.

quinta-feira, abril 10, 2008

Este meu mundo...

Seria bom este meu mundo, Se nele dor nao existisse? Seria? ... Não poder sentir a dor de te ter longe, Ou a dor de te deixar, que não ha dor igual àquela... Essa dor que não existe sem amor E o amor que não existe sem ela! Seria bom este meu mundo, Se nele amor nao existisse? Não. E se o amor não amasse alguém, E esse alguem não o amasse a ele? Mas culpa não terei de o amor amar a dor. De sempre a levar para onde for. E contrariando os meus pensamentos Com pensamentos meus, pergunto-me: Seria bom este meu mundo, Se nele tu não existisses? Seria?...
Excerto surripiado daqui.

segunda-feira, abril 07, 2008

April 7th

Em Portugal:

  • Dia do moinho

Em Moçambique:

  • Dia da Mulher
No Brasil:
  • Dia do Corrector
  • Dia do Jornalista
  • Dia do Médico Legista

Celebrado desde 1948 pelos 141 membros da OMS (nos quais incluído, claro está, Portugal), Dia Mundial da Saúde.

É também dia do padroeiro dos professores, São João Baptista de la Salle.

Foi o dia em que nasceram:

  • São Francisco Xavier (1506) - fundador da Companhia de Jesus;
  • Will Keith Kellogg (1860) - fundador da Kellogg's;
  • Ole Kirk Christiansen (1891) - criador da Lego;
  • Almada Negreiros (1893 - exactamente 100 anos antes de mim!) - artista e escritor português;
  • Jackie Chan (1954) - actor chinês.

Tem sido um dia fantástico. Obrigada a todos os que o tornaram realidade, a todos os que cá faltam, e a todos os que hão-de chegar.

sexta-feira, abril 04, 2008

estás aí...pois é?

foto do google
É como se o Verão de repente tivesse chegado mais cedo.
É como se algo tivesse escapado à vista, mas nada parecesse faltar.
Quero um colo.
Quero dormir num abraço e sonhar com flores de chocolate e árvores de caramelo. E dinossauros.
Descobri o que quero ser quando for grande: quero sentir-me em casa diante de toda a Criação.

segunda-feira, março 17, 2008

7º sentido

"Ser forte é esperar quando não há motivos para acreditar no retorno."
A frase original era "ser forte é esperar quando não se acreita no retorno". Mudei...porque acho que se de facto não acreditamos no retorno....então não temos nada que nos prenda...nada para nos agarrarmos, que seja força para continuar à espera; e então não esperamos. Mas há vezes em que acreditamos no retorno...mesmo que não tenhamos motivos reais para isso...e quando isso acontece...custa muito. É, como já aqui disse, remar contra a corrente. É desdizer o real, o racional. Apenas...acreditamos. Esperamos. Há algo imovível naquele que esperamos...e apenas isso basta para nos dar um pouco de alento.
Que bom conseguir acreditar em coisas que não se vêem, não se cheiram, não se ouvem e não se tocam!

sábado, março 15, 2008

domingo, março 09, 2008

Psssst...habita em mim...

Não havia mais ninguém no mundo com quem teria querido passar este dia. Prometo: vou guardá-lo e fazê-lo prolongar-se o mais que puder. Para isso..: até já... =D

sexta-feira, março 07, 2008

Holé! xD

Jose Luis Rodriguez
Esta segunda-feira vou para aqui!
É a quarta maior cidade de Espanha, e a quarta maior cidade metropolitana espanhola por número de habitantes!
Não, como toda a gente pergunta, não vou à Isla Mágica, mas também não tenho vontade...
Volto quarta-feira, espero que com a alegria de mais amigos, mais cooltura e uma experiência que deixará coisas boas de lembrar...
Aquilo que me vai custar mais... são as saudades... sobretudo... dele! Enfim!
Depois conto tudo, tudo, tudo!! =)
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Beijinhos beijinhos e até ao meu regresso! **
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PS.: Raisparta o raio do Roaming ser tão caro!

sábado, março 01, 2008

Depende dos teus olhos... III

Ontem - isto é - há uma hora e tal atrás, um amigo perguntou-me uma pergunta que - diz ele - só teria lata para me perguntar a mim. Perguntou-me qualquer coisa como Se nós podemos fazer-nos acreditar em algo que inventemos, como poderemos ter a certeza de que aquilo que estamos a viver é a realidade?. Era uma pergunta que eu já me tinha feito a mim própria...portanto foi relativamente fácil desenvolver uma resposta. Ficámos uns minutos à conversa.
Eu já tinha pensado nisso...mas nunca tinha posto a coisa em termos práticos e...sólidos.
De facto, como poderemos alguma vez saber que aquilo que vemos é real?
Como saberemos se não estamos, por ventura, a ser imaginados por alguém?
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Sim, os olhos olhos dizem-nos que as coisas são assim. Lá está: os nossos olhos. Quem nos diz que são esses olhos que estão certos? (E isto leva-me a duvidar se sou eu que vejo mal ou se é o daltónico...) Não nos é dito que só vemos aquilo que queremos ver? Então será que o monitor que está à minha frente é mesmo rectangular? Como é que eu sei que esta forma não é fruto da minha imaginação? Como é que eu sei que não estou, neste preciso momento, a dormir?...
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Talvez seja por isto que gosto tanto do Matrix...

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

IV

Nós somos loucos, não somos? Desta louca poesia, Desta riqueza dos pobres Que se chama fantasia! Ergamos pois nossa tenda E nosso lar de pobreza No mais ermo desses montes, No fundo da natureza. Se o frio apertar connosco, Pois não temos mais calores, Aqueceremos os membros Na fogueira dos amores! Se for grande a nossa sede, Tão longe da fonte fria, Contentar-nos-emos, filha, Com as águas da poesia! Assim à nossa pobreza Daremos a Imensidade... Que com isto se contente Nossa pouca seriedade. E, pois somos loucos, vamos Atrás dos loucos mistérios... Deixemos ricas cidades Ao sério dos homens sérios!
Antero de Quental
Primaveras Românticas

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

184 dias

Seis meses. Meio ano. Passou a correr. Temos, de facto, a liberdade de poder escolher ser fortes. Talvez o mais forte não seja aquele que ultrapassa os problemas...mas sim aquele que tem a coragem de escolher ser forte. Talvez o mais forte seja aquele que diz sim à vida e à realidade e à pressão...aquele que lhes grita "Venham que eu aguento convosco!". Talvez o mais forte seja aquele que diz "Sim, isso aconteceu", "Sim, eu estive lá", e "Sim, eu vou contar-te a história". Talvez seja o mais forte o único que que sabe o que aconteceu e que aceita as coisas tal como elas são. O mais forte não é aquele que rema contra a corrente. É aquele que tem a coragem de escolher fazê-lo: consiga ou não.

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

[Untitled] II

Precisamos, realmente, de falar das coisas. Torná-las reais, presentes, vivas. Só assim poderemos ultrapassá-las. Guardá-las, só depois de falar delas, no mais íntimo de nós, segundo a nossa visão das coisas. Entregá-las aos nossos pijamas para voltar a mexer, quiçá, um dia mais tarde - quando for preciso. Temos é de ficar com a certeza de que quando voltarmos a falar daquele assunto, não vamos desabar como outrora.
Não podemos simplesmente pensar noutra coisa.
Não podemos ser proibidos de chorar ou de lembrar quantas vezes nos apetecer.
É disso de que se trata o luto! O verdadeiro luto, acredito eu, passa exactamente por aí.
Passa por mexer e voltar a mexer na ferida. Passa por desabar mil e quinhentas vezes até crescermos dali para fora. Passa por falar dos assuntos, com naturalidade, com a frequência adaptada àquilo que possamos e queiramos suportar.
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Não criemos flores de estufa. Não podemos evitar os assuntos, não podemos fingir que nada se passou! Porque passou, de facto! Porque dói, de facto! Porque virá à tona mais cedo ou mais tarde e aí, aí sim!, vai doer ainda mais!... Falem! Não teham medo! A vida não é justa...e temos de aprender isso às nossas custas. Por muito que vos custe.
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Por favor...
...deixem-me lutar.
...deixem-me fazer o meu nojo.
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Preciso disso.
Urgentemente.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Depende dos teus olhos... II

Ver-me-ás como serei? Como poderemos alguma vez saber se aquilo que vemos é, realmente, aquilo que é? Como vamos saber se estamos errados, se toda a gente disser o mesmo que nós? Podemos estar todos errados? Se olhamos todos para um mesmo contentor, vamos, por certo, todos dizer que ele é verde. É, normalmente, a primeira definição visual que damos das coisas: a cor. No entanto, se há coisa que o coitado do contentor não é, é verde. Aprendemos na física que o objecto guarda para si todas as cores que quer, repelindo a que não quer! O raio do contentor guardou para si todas as cores que queria. E mandou embora o verde. E nós chamamos verde ao contentor!! É a confirmação mais básica, mais evidente de que os nossos olhos estão errados.
Chamamos-lhe verde. Todos nós. Não vai ser por isso que ele vai gostar mais do verde.
Quantas vezes não nos apercebemos de que os olhos vêem o que o cérebro quer ver?
Quantas vezes não olhamos segunda e terceira e quarta e quinta vez e de todas as vezes vemos algo diferente? Quantas vezes não precisamos de um novo olhar sobre isto ou aquilo? E quantas vezes um novo olhar não mudou tudo?

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Depende dos teus olhos...

“- Bom dia, disse o principezinho. - Bom dia, disse o comerciante. Era um comerciante de pílulas aperfeiçoadas para acalmar a sede. Engolindo uma por semana não há necessidade de beber. - Porque vendes tu isso?, disse o principezinho. - É uma grande economia de tempo. Os cálculos foram feitos por peritos. Poupa-se cinquenta e três minutos por semana. - E o que se faz com esses cinquenta e três minutos? - Faz-se o que se quer… «Eu, disse o principezinho para consigo, se tivesse cinquenta e três minutos para gastar, o que fazia era dirigir-me devagarinho para uma fonte…»”
Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Viver para quê?

“- Bom dia, Thibault!
- Bom dia, Yolande… (Silêncio).
- Parece que estás cansado?
- É que caminhei muito…
- Sim, a tua ausência durou muito tempo. (Silêncio).
- Era difícil de encontrar.
- O quê?
- O que eu queria.
- E o que é que tu querias?
- A lua.
- O quê?
- Sim, eu queria a lua.
- Ah! (Silêncio). E para quê?
- Sabes, é uma das coisas que ainda não tenho.
- Está certo. E conseguiste o que querias?
- Não. Não a posso ter.
- É aborrecido.
- Sim. É por isso que estou cansado. (Pausa). Yolande!?
- Sim Thibault.
- Tu pensas que eu sou louco?
- Sabes que nunca penso. Sou suficientemente inteligente para não pensar.
- Sim, está bem, mas eu não estou louco e nunca estive tão lúcido. Simplesmente, senti de repente uma sede do impossível. (Pausa). As coisas, tais como elas são, não me satisfazem.
- É uma opinião muito espalhada…
- É verdade. Mas eu não sabia. Agora sei. Este mundo, tal como está, é insuportável. (Pausa). Eu tenho necessidade da lua ou da felicidade ou da imortalidade. De qualquer coisa que não seja deste mundo.
- É um raciocínio que se tem. Mas, afinal, não se pode ir até ao fim…
- Tu nada sabes. É porque não se quer ir até ao fim, que nada se alcança. Mas é preciso sermos lógicos até ao fim.
- E qual é a verdade, Thibault?
- Os homens morrem e não são felizes. (Pausa).
- Então Thibault, é uma verdade que não incomoda ninguém. Olha à tua volta. Isso não impede as pessoas de almoçarem.
- Então é porque tudo à minha volta é mentira. Mas eu quero que se viva na verdade…”
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Albert Camus, Calígula

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Debaixo da tua asa...

...sinto-me bem!
É como voltar a casa e sentir aquele conforto...que nos conhece tão bem e sabe exactamente do que precisamos... A tua asa é a única que me faz sentir que é mesmo uma asa...e uma asa feita para mim! Uma asa vinda de ti, à minha medida... Proteges-me como fosse tua...e isso faz teu um bocadinho de mim! Sabes que não o sou...mas fechas os olhos a isso quando sabes que o perigo espreita! Sinto-me bem, debaixo da tua asa...porque é uma asa, mas sobretudo porque é tua! Um dia vais crescer, e um dia hás-de casar, e um dia sumir-te-ás diante dos meus olhos... Vou sentir-me perdida porque deixarei de te ter debaixo da asa que construí à tua volta... Nesse dia pode ser que te abrace e te diga tudo aquilo que hoje podes apenas sentir...

sábado, janeiro 26, 2008

"Devia ser como no cinema / A língua inglesa fica sempre bem / E nunca atraiçoa ninguém"

...pergunto-me como seria, se fosse hoje...
...pergunto-me se algum dia me voltarei a sentir bem naquele abraço...
...pergunto-me onde estará o erro, esse tão grande erro...
...pergunto-me, sobretudo, quanto custará um braço torcido em cima de uma confiança reconquistada...
Não quero ir passear o Panic!. Está frio lá fora.
Cá dentro...só apodereço.