segunda-feira, fevereiro 23, 2009

"Ora e vigia"

Chega um ponto em que há inequivocamente uma única resposta para tudo.

Porque o amor é o único que a tudo sobrevive.

Mais que a confiança, muito mais que a segurança ou a cumplicidade. Sobretudo, mais que a amizade.

A única coisa que dá verdadeira força e verdadeira razão.

A capacidade de dizer, mesmo no mais profundo silêncio, eu amo-te.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

"Quem quiser vir após mim"...

É óbvio que nunca esperei que algum dia a vida fosse parar.

Isso é óbvio.

Mas só hoje é que percebi que não vai, nunca, de facto.

Não há um depois, nem sempre há. E eu não confio em mim para dizer nas férias trata-se disto ou daquilo. Não funciona.

Mas não vai parar. Independentemente de tudo. Não há cá cada caso é um caso nem vamos pensar no assunto. Não vai.

E há-de doer, sempre. Porque só assim é que dá.

E isto...foi isto que...vai fazer a diferença.

domingo, fevereiro 08, 2009

Hoje, especialmente hoje.

Terás sempre motivos para celebrar. Só o facto de teres vida dentro de ti deve ser um motivo de festa.

É forçoso admitir que há muita bosta por tudo quanto é sítio. As regras não são justas. E enquanto estivermos vivos não poderemos ser perfeitos, nem completos.

Mas a vida é um dom indiscutível, o maior dom de todos. É por isso que temos, por força, de perder os que amamos. É a única maneira de entender realmente a importância que têm. É aqui que a vida ganha toda a sua importância: na morte.

É por isto que tens de celebrar. Porque estás aqui, porque és uma pessoa, porque amas, porque és mais importante do que podemos discernir.

Parabéns, minha querida!

PS: Sabes, foi o primeiro ano em que faltei ao teu aniversário....but yet, acho que não faltei... :D

sábado, fevereiro 07, 2009

Para mim todos os dias são derrotas.

"Se vim ao mundo foi só para desflorar florestas virgens e desenhar os meus próprios pés na areia inexpugnada. O mais que faço não vale nada." Régio
Para quê tudo? Não sei. Mas acredito. O que interessa é ir. Ou ir indo. Sei que um dia vou perceber.

domingo, janeiro 18, 2009

Grey Days III

Dia cinzento é céu branco.
Dia cinzento é banco de jardim.
Dia cinzento é candeeiro alaranjado numa tarde crepuscular.
Dia cinzento é nariz frio, e vermelhinho.
Dia cinzento é um arrepio de felicidade.
Dia cinzento é uma poça no caminho.
.
Dia cinzento é a ponte, o compasso de espera - tão necessário! - para as amendoeiras em flor.
Dia cinzento é o nevoeiro que nos restringe a nós, obrigando-nos a travar conhecimento com o espelho, e a construir com ele uma relação à flor da pele.
Dia cinzento é acordar com olhos de peluche para não magoar o sono, na manhã azul que se espreguiça lá fora.
Dia cinzento é tinta-da-china de sol.
.
Estas nuvens espicaçam os meus nervos como um aguilhão. E o Inverno, esse invade-me. Como um conquistador.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Determinismo, um pormenor.

Podemos optar pelo que nos parece bom, quer dizer, conveniente para nós, frente ao que nos parece mau e inconveniente. E, como podemos inventar e escolher, podemos enganar-nos, que é uma coisa que não costuma acontecer a castores, abelhas e térmitas.
Savater, Ética para um jovem
Porque não estamos escritos. Não está lá, no nosso ADN, que temos de escolher este curso, nem que temos de dizer bom dia aos vizinhos no elevador, enquanto está no ADN dos cães atacar quando alguém se aproxima enquanto estão a comer, e no das térmitas-soldado ir combater e morrer pela colónia a que pertencem. No mínimo, não podemos negar a noção de responsabilidade ao fazermos uma escolha. Tudo o que fazemos pode estar determinado por tudo o que somos e toda a vida que temos para trás, mas eu teria sempre tido motivos, se quisesse, para escolher a outra via. Porque eu penso o que eu quero. Se eu quiser, escolho isto. Se não, não.
E é claro que falamos de duas hipóteses que me são completamente acessíveis, ou o meu discurso não faria sentido.
É isto que dói.
O peso da responsabilidade, da culpa. O saber que há escolha, que para além do mais é nossa.
Era tão mais fácil ser determinista...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Dois mil e troca o passo

Mais um ano que fica para trás.
E com ele fica tanta coisa... Sinto que, com o passar do tempo, me vou rodeando de amigos. É sempre curioso lembrar-me de algumas pessoas que já me foram o mundo...e que hoje pouco mais me são do que essa recordação, essa vivência passada. E esta separação acontece por várias razões...mas cada vez mais tenho a certeza de que, se de facto quisermos, os nossos amigos de hoje serão os nossos amigos de sempre. E lembro uma frase de Nietzsche, Hold a true friend with both of your hands. Creio esses true friends que são a melhor coisa. São a expressão do amor humanificado. Sim, mais que a família. Porque não gosto da minha família. Ou melhor, não é por serem família que gosto deles. Gosto dos amigos que encontro nas pessoas que pertencem à minha família. Gosto do amor que me dão. Não do facto de terem comigo qualquer relação de sangue. Não é possível gostar-se de alguém só porque é família, tal como não é possível gostar-se de alguém só porque é colega, ou vizinho, ou passa muitas vezes por nós na rua.
E então deparo-me, quase subitamente, com os meus desejos para o ano que tão devagar se tem vindo a aproximar. Quero passar pela vida sempre assim: não me arrependendo de não ter feito mais. Quero nunca mais ter medo. Quero tropeçar sempre em gente que me lembre que a vida sabe a coisas fantásticas como pão com manteiga e chocolate!
O que está, está bem, e como dizia o meu anjo da guarda...Siga pra Bingo, menina! :)

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Tempo de Natal

Tempo estranho. Muito estranho. Estranho porque toda a gente fala a mesma língua, mas ninguém se entende. Ou entendem-se, assim: $&=@!0{¨#. A parte mais engraçada é que o Natal não é nada disso.
Bem, o Natal é um amontoado de presentes, de azevinho, de velas, de velhotes barrigudos, de anúncios irritantes, de jantares, de postais, de sorrisos, de abraços, de visitas, de promoções, de renas, de missas. Mas há quem diga Não, não, na realidade o Natal é a festa da família, da solidariedade e dos presentes, das árvores decoradas, dos pensamentos bonitos. Alto lá, dizem outros, acima de tudo, o Natal é o mundo do Pai Natal, um velho gordo e bondoso, com barbas, sempre com um saco às costas e um fetiche por chaminés. Na realidade, no meio desta enorme confusão, alguns são capazes de conhecer o sentido original do Natal, creio eu. Aquela imagem, o sentido etimológico, a origem histórica... Só que a realidade é tão diferente! A verdadeira realidade do Natal é um assombro. O mais incompreensível não é que o Senhor que fez o Universo tenha nascido como um bebé, tão frágil e vulnerável quanto cada um de nós, morrido na cruz e ressuscitado. O mais espantoso é que Ele o fez por mim, pela minha vida. Esta é a realidade incontornável. O nascimento de Cristo é a realidade que muda toda a minha existência, em todos os meus dias.
Afinal o que é o Natal, pergunto-me. Sinceramente: Não sei! Um mistério que me escapa. Naquilo que é evidente, algo muito simples: um bebé que nasce num local pobre. Mas como pode este simples facto ecoar assim há 2000 anos? Não sei, man! Mas acredito!
Outra coisa de que muitos se queixam: é uma estucha. Epah, cansa imenso! As visitas, os presentes, as comidas, as sobremesas e - ai! - a família! E gastamos tanto dinheiro! É uma trapalhada, uma con-fu-são! Nem se consegue viver em paz. Porquê? Porque é Natal. É assim desde o início, minha gente. Quão cansada não estaria Maria, carregando com uma barriga de oito meses, fazendo centenas de quilómetros até Belém? A despesa da viagem, do nascimento, da ida para o Egipto? A confusão do recenseamento, a trapalhada do estábulo?
Canseira, despesa e trapalhada estão no centro do mistério que nos leva - ainda hoje - a celebrar o Natal. Porque o Deus sublime quis vir nascer como um bebé. Porque o Senhor do Universo pegou em toda a sua glória e a escondeu naquele estábulo. O Natal só existe porque o Verbo de Deus quis levar com uma enorme canseira, despesa e trapalhada pela nossa salvação.
Por isso hoje, quando corremos, gastamos e sofremos por causa do Natal, ao menos lembremo-nos do que Ele e Sua Mãe correram, gastaram, sofreram. Por nós. Participar no Natal é amar o próximo, mudar de vida, entrar no amor. O Natal não é canseira, é amor. O amor cansa. Mas se não amarmos, se não conseguirmos amar ou mesmo que não o queiramos fazer, ao menos participemos do Natal repetindo a canseira, a despesa e a trapalhada que foi desde o início. A canseira por causa dos outros é o primeiro passo para chegar ao Natal.
Com uma mãozinha do João César da Neves.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Leva-me contigo.

Talvez eu me encontre no sítio onde me levares.
Talvez eu descubra que a paz é um conceito real.
Talvez eu perceba que há um sítio onde eu posso dormir.
Talvez eu mude.
Leva-me, então, para onde quiseres.
Já não sei nada.
Sempre quis ser ciente, sempre quis crescer, sempre quis sentir, sempre quis saber, saber, saber! Hoje...não sou nada.
Leva-me no teu bolso. Gostava tanto de caber no teu bolso!
Ainda bem que existes.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Tu não estás a perceber.

É quando te separas das pessoas que elas te fazem mais falta. Isto é óbvio, mas preciso de pensar. E não falo de saudades, não. Isso também pode ser verdade, mas às vezes não é.
Falo de uma falta que passa realmente a existir, e que não é subjectiva. Porque uma pessoa pode estar a ser um ponto negativo na vida de uma outra pessoa, mas ninguém é só mau. Portanto, tudo o que de bom essa pessoa-ponto-negativo-para-outrem pudesse oferecer vai deixar de existir. Então faz, provoca uma falta. Porque falta lá tudo (mesmo que seja pouco) o que ela podia dar, ou ter dado, ou vir ainda a dar de positivo.
Nós nunca deixamos de precisar de colo. Ou de um abraço. Ou de uma bolha-actimel contra a poluição socio-afectiva da sociedade em que vivemos.
Assim, qualquer pessoa que nos desse algo parecido com um pássaro branco que esvoaça livremente dentro de nós, se deixa se estar junto de nós...faz-nos falta. Mesmo que sejamos grandes, crescidos, tão-para-nós convencidos de sermos senhores do nosso nariz. Não só nos faz falta como provoca um vazio imenso, uma lacuna, um poço escuro e digno de muitos pesadelos.
Não digo que as pessoas de quem nós nos separamos tenham de ser pontos negativos. Aliás, para uma pessoa ser um ponto negativo é preciso ser-se muuita mau...e felizmente, isso não acontece muito. Às vezes, separamo-nos porque temos de nos separar. Tem de ser assim! Não somos nós quem faz a maior parte das regras. E é nestes casos - em que nos separamos de pessoas que nos fazem sentir bem - em que elas nos vão fazer mais falta.
Não somos livres. Nunca fomos.
Estou presa a quantos me cativaram a mim, menos àquele que me cativou por inteiro e em todo o tempo, de maneira que não posso sentir que estou presa a Ele.
Todos temos as nossas asas, feitas de materiais que nos nossos pequenos mundos resistem a (quase) tudo. Não significa que não precisemos das dos outros hoje e para sempre, até porque nunca usámos as nossas só para nós...

quinta-feira, dezembro 18, 2008

domingo, dezembro 07, 2008

Chova.

São noites como esta que me apetece viver para sempre.
Todo o dia descobri pessoas, descobri lugares, tácticas, músicas, sabores, verdades.
E chego ao fim, podre, e vejo que onde eu cresci mais foi em mim...mas não em mim!
Cresci naquele eu em que "fui tu". Porque me pus lá. Aprendi a morar no eu que vive, meu, dentro das minhas pessoas.
E apetece-me chover aqui nomes de pessoas. Mas ia faltar sempre alguém. Para além do mais, não vale a pena, quem está sabe que está. É essa a melhor parte de ter amigos. Alguém dizia Nunca te expliques. Os teus amigos não precisam e os teus inimigos não acreditariam. Amigos.
Há uma chama que nos aquece por dentro, que nos impele a agir sem darmos sequer por isso. Como um chouriço que assamos às escondidas - tanto quanto um chouriço se pode assar às escondidas - e partimos em bocados que cheguem para todo o mundo repetir. E todo o mundo repete, sempre. Amigos!
São noites como esta que me apetece ter para sempre.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Catapulta.

Frágil, a minha boneca.
É tão frágil como um fio de cabelo de cristal.
Ela é forte, sim. Mas a sua força é o ponto fraco que faz da alma dela a mais frágil do jardim das bonecas.
Sabes que mais? Construí um castelo à volta dela. Da minha boneca. Podia protegê-la todo o dia, com todos os meus muros, num abraço de segurança, de pertença.
E depois nasceu a catapulta. Estúpida, a catapulta, hein? E os meus muros, até o mais alto e magestoso muro restou por terra. Hoje, a minha boneca não está protegida...
...nem está lá.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Pinneapple.

Não te sei falar. Simplesmente, não te sei falar. É como...se não tivesse palavras para ti. Quer dizer...não, não quer dizer nada, não tenho mesmo palavras para ti. Lá está: temos todas as armas contra tudo, estamos preparados para responder a tudo, e defendemo-nos de tudo, até do amor. Mas é amor que te tenho? Tenho amor a alguém a quem não sei falar? É que não sei mesmo o que te dizer. Tudo o que tinha, disse. Não há já nada que não saibas, ou tenhas sabido. Sou repetitiva, redundante, no que toca a ti. Impotente. Sinto-me tão pequena... És tão crescido...! Sim, sei que não escolheste crescer...és aliás das poucas pessoas que parece saber o verdadeiro valor do prazer de sermos crianças. És um homem. E eu tenho o maior orgulho em ti. Sei que não devia, na teoria não me és nada... Mas és tão grande! Se um dia eu tivesse metade daquilo que tu tens...fosse no que fosse: coragem, humildade, amizade, verdade, inteligência, doçura, capacidade de perdão, capacidade de entrega...oh, amigo, como teria enriquecido! Um dia dissemos que a nossa amizade sobreviveria a tudo. O que me fascina, ainda hoje, é a tamanha confiança e despreocupação que púnhamos nessas palavras. É que...não imaginávamos a vida de outra forma. Esses eram dias em que te chamava algo parecido com Melhor Amigo. Hoje? Posso chamar algo assim a alguém a quem não sei falar? Não sei....a mim apetece-me, porque nunca tive amigo maior que tu. Sim, posso ser ingénua, mas não creio algum dia vir a ter. E, no entanto, sinto-me perfeitamente inútil. Vou continuar aqui às voltas. Talvez apareça algo que me desvie a atenção, para continuar a viver no mundo ridículo que construí, aqui.

domingo, novembro 16, 2008

Shh...

O silêncio é como o escuro. / Pode meter-nos medo, pode deixar-nos desconfortáveis, pode ser tudo o que precisamos. / É no silêncio profundo de nós mesmos que nos encontramos connosco, acho. Não digo que é lá que nos conhecemos, porque nós conhecemo-nos nos outros, e nada se faz se forma solitária. Mas é lá que me encontro comigo, que me encontro a mim. / E o silêncio vai tendo uma grande importância em cada fase da nossa vida, digo eu. / Precisamos dele para dormir - mesmo que consigamos dormir sem ele, faz mal aos miolos - e para pensar. Ora dormir e pensar são das coisas mais importantes na vida, não? / E às vezes um silêncio vale mais que todas as palavras. / Mas como dizia o mfc, o silêncio é um texto fácil de ser lido errado. E é aqui que entra o conhecimento do outro, a cumplicidade. Se existe, tudo será claro. / O silêncio é das coisas mais bonitas que pode haver. / Um dia um amigo disse-me que à medida que vamos conhecendo uma pessoa, o silêncio tem um papel cada vez mais especial. No início, geralmente, é constrangedor. Moemo-nos por dentro a pensar "Diz alguma coisa de inteligente, diz!". Chega o dia em que o silêncio não dói, não faz mossa. É até necessário. Percebi que é assim que se constroem as amizades. Na confiança suficiente para não ter medo de ficar em silêncio. / E sou contente, ao pensar em todas as pessoas com quem não tive medo de me calar.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Vekk.

Quero adormecer. Para sempre. Adormecer... Viver em Vale-de-Lençóis. Está declarada guerra de almofadas a quem se meter no meu caminho. E aviso já, porque está decidido: vou de pantufas.

sábado, outubro 25, 2008

Insisto.

A luz está onde a quisermos ver.
Antes de mais, teremos de a procurar por dentro. Tanto por dentro de nós, como pela parte de dentro dela. Unir uma coisa à outra: a nossa mais profunda vontade com a simples razão de ser dela. E então seremos como aquelas imagens bonitinhas das alianças que passam uma dentro da outra: a luz estará no meio de nós e nós no meio da luz.
É por isto que creio que quem procura a luz, ou a paz, ou a felicidade, ou o amor, nunca os encontrará. Quem os encontra não estava à procura deles. Porque quem os procura não está a ligar ao que de melhor há neles: são espontâneos. Nascem, crescem, brotam por si próprios, onde e quando a gente não estava mesmo à espera. Não os tenho, oh não! Não tenho nem conheço nenhum deles. Vou conhecendo... Gosto de pensar que lhes vou seguindo o rasto. Vou assim pela estrada fora, como uma criança mais ou menos paciente, que vai comendo os bocadinhos de pão pelo caminho, pão que a alimenta, que a faz seguir, que lhe deixa vontade para mais.
Citando António Gedeão, Tenho esperança. Uma grande esperança.
--> Foto tirada pelo Rui Pedro, em Taizé.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Doo-me.

Escrever. Mas sobre quê?
Não sei.
Então não escrevo.
Preciso de escrever. Preciso de escrever! Mas sobre quê? Sobre esta angústia que me come por dentro? Mas se não sei de onde vem, nem como veio, nem porque raio havia de vir...! Nem sei o que é! É, a um só tempo, a pura alegria de ter amigos bons, amigos fortes, daqueles que julgamos imortais...e o conhecimento desta dor e desta solidão a que não posso chamar senão ímpares porque nunca conheci piores... É, a um só tempo, a felicidade maior e a dor maior. É, a um só tempo, as palavras que não se dizem no maior abraço, e as palavras que não existem num choro silencioso e convulsivo.
É isto o amor? Um amor que lhe dói a si mesmo??
Um amor que se mata, que se morde a si mesmo, que é ao mesmo tempo a sua própria fonte de vida e o seu próprio cancro?!
É isto? ...

domingo, outubro 12, 2008

Peter

Um rapazinho que sempre o foi e sempre o será.
Podemos censurá-lo? Eu gostava de me poder recusar a crescer. Em verdade, acho que estou a aprender. A viver num mundo longínquo, onde as palmas ressuscitam as fadas e a liberdade mental é o único verdadeiro pré-requisito. Gostava de adormecer numa casa na árvore, mesmo antes de gritar Boa Noite a toda a minha pequena Terra do Nunca. De tocar flauta e cantar de galo. De ter sardas e andar com penas engraçadas na cabeça. De ser criança para sempre!...
Uma coisa já aprendi, embora nem sempre consiga concretizá-la. De uma maneira ou de outra, aprendi, e acho que é a mais importante de todas: aprendi a voar! Basta um pensamento feliz… Não importa que dia é hoje, nem as horas a que as trevas chegaram…basta um verdadeiro pensamento feliz!! E o meu é este: o meu próprio Peter Pan, que é a coisa mais linda que este mundo tem!

imagem do google