terça-feira, julho 28, 2009

Ano 2000

Na capa do manual de Língua Portuguesa estava escrito um poema de que nunca mais me esqueci. Salvo erro, de Alice Vieira. (Se estiver errado e me lembrar mais tarde do nome correcto, venho cá corrigir.)

Lá estava, escrito à mão, em letras gordas e...hum...de principiante. Hoje ainda é verdade. Como o sol.

Gosto da palavra e da letra

Gosto de quem a escreve

Qualquer letra ou palavra é preta

Num fundo branco de neve

domingo, julho 19, 2009

Atrevimento

Uma viagem silenciosa, como quem está no meio da rua a ver um furacão chegar. Não é bem medo. Antes uma confiança estranha no que está para vir. Bom ou mau...nada a temer: é uma experiência.
Gosto de me sentar no chão e cruzar as pernas "à chinês".
Espero, apenas, pelo que vem na travessa para a minha mesa.
.
Atrevo-me a ficar, tão somente, a vê-lo chegar. Por vezes, corro para ele na ânsia incontida; por outras, recuo um pouco para ganhar algum tempo que ainda me é útil. No final, e seja como for, é sempre um encontro desejado. Ele vem ao meu encontro e eu espero-o no meio, no centro, onde a pressão é nula.
.
.
É assim que tudo posso: está tudo bem.
.
.
.
Pois é. Fui para um convento. Se doeu? Obviamente. Enxertos de porrada deixam sempre as pessoas - que sentem - doridas, com nódoas e cicatrizes provenientes das investidas mais certeiras. Não nasci de novo. Não mudei de nome. Não mudei de vida. Mas estou aqui...dorida...e a digerir.

sexta-feira, julho 10, 2009

téni

Ténis? Tennis?
O que é certo é que tenho um sapato no tecto.
Ao contrário, i. é, de cabeça para o ar. Se é que os sapatos, ténis, tennis, têm cabeça. Bem vistas as coisas, o téni (ténis?) não é meu. Nem o tecto.
Mas está lá, o sapatinho. Pendurado pelos atacadores com um laço, com a sola virada para cima, no céu do quarto onde eu durmo.
Há pessoas que fazem ahh depois de beberem água. Há pessoas que escrevem livros, e também as há que não os escrevem. Todas as pessoas são estranhas pelas coisas que fazem, sobretudo porque fazem essas coisas não as outras possibilidades de coisas para fazer. Há pessoas que dizem téni, e também isso nos diz qualquer coisa.
O que é estranho, então? Tudo? Gosto que sim. Afinal é isso que nos apaixona nas pessoas.
Lembro-me de estranhar escrever o meu nome. Era assim que eu me chamava, e agora podia escrevê-lo.
Voltar a olhar. Uma primeira vez.
No tecto, ao menos, não está desarrumado.

segunda-feira, julho 06, 2009

Rolling Stones

Às vezes, tudo o que eu queria era um dia cinzento.
Às vezes nem queria, só precisava.
Só um, nem tinha de ser o dia todo, só assim um bocadinho durante a tarde, por entre a gritaria e confusão deste sol cataclítico.
Mas a gente não manda. E eu sou um bocadinho de gente. Se a gente não manda, bocadinhos dela mandam ainda menos. Right?
.
No entanto, às vezes, não só o dia fica cinzento e escuro, e fresco e ventoso, e limpo e grande, e espaçoso e cheio, como também se farta de chover e ainda nos cai uma senhora trovoada em cima. Passa-se ali um dia inteirinho - inteirinho! - em que o sol não atrofia cérebros nem músculos nem poros, se limita simplesmente a preguiçar sobre as fofas nuvens que fazem o favor de chover cá para baixo. Alguns bocadinhos de gente ganham ainda a possiblidade de passear - individualmente ou não - debaixo dos pingos indefinidamente sistemáticos e torrencialmente sequenciais daquela liberdade imensa e de depois ouvir a serra respirar ou sentir a cidade renascer. E tudo isto de graça!
Os Rolling Stones são famosos por causa daquela frase deles a respeito de nem sempre se poder ter o que se quer, mas às vezes conseguimos ter aquilo de que precisamos. Sublinho: às vezes, podemos ter o que queremos e o que precisamos ao mesmo tempo, com tudo grátis e às vezes até há beijinhos!

sábado, julho 04, 2009

Ninguém pode.

Curiosos, os caminhos humanos.
Bichos estranhos. Protegem-se de sismos, lutam contra cancros, preparam-se para furacões, cheiram tempestades, sobrevivem a acidentes, escapam, continuam, esperam.
Mas da culpa? Salve-se quem puder!

sábado, junho 27, 2009

Vais ver!...

É possível que viva em mim alguém que nunca vi? Não, mas eu vi. Será possível que viva em mim alguém que nunca conheci? Não, claro que não, se não conheci, não. Mas eu conheço, e vou conhecendo, porque vive em mim e eu conheço.
Sinto que é, que foi, e que é sempre.
A vela é o tempo que arde. O tempo é a vela que passa.
Às vezes apetece-me ir até ao cemitério dizer olá a um resto de corpo morto...dizer Sou a Ana e já tive oito anos, como tu também já tiveste...! Vou andando agora nos meus dezasseis e não fazes ideia das coisas que tenho para discutir contigo!
Mas faz. Porque está e as minhas coisas são um livro aberto para quem está. Se não estivesse, eu não sentia que sim.
"Um dia a minha mãe também vai para ao pé de ti e então tu vais ser-me muito útil e voltar a falar-lhe daquelas coisas só tuas...e eu vou chorar de felicidade quando perceber que voltaram a rir-se à gargalhada...a tal gargalhada de cabeça para trás... Vais ver!"

terça-feira, junho 23, 2009

Eu posso tudo.

Vai haver sempre isto. Isto não, mas outra coisa qualquer. E eu vou ser sempre um copo que cai e que parte. Sempre um copo, sempre eu, sempre um estardalhaço enorme - para mim, claro - que antes de chegar aqui caiu de 50 prateleiras muito muito muito altas. Porque o muito é sempre relativo, tal como Deus é minúsculo.
É por isso que a Mariana ganha sempre - sempre é sempre - e a Sara é e sempre será - sempre é sempre - a minha Tangerina. Porque eu sou um copo que cai e que parte, independentemente de tudo o resto, menos de tudo - que é o mesmo dizer que nada. E é assim que é independentemente, i. é, de modo independente. Porque eu sou um copo que cai e que parte e que se não caisse nem partisse não estaríamos todos aqui a fazer nada. E se não fosse independentemente nesta dependência total e absoluta que expliquei há uns momentos atrás, também não valia a pena estar para aqui a escrever.
Pum. Caiu. Haha.

segunda-feira, junho 15, 2009

Diz.

Diz que o escuro volta.
Que há um lugar para crescer e um tempo para ser racional. Que é bom ter medo e que a noite existe sempre, mesmo quando nós deixarmos de existir.
Diz que é, se nós quisermos. Diz que sim.

sábado, junho 13, 2009

eu sou um copo.

Poisou o copo sem o partir.
(Ainda tinha água, mas era o mesmo que não tivesse, porque de qualquer das formas não foi bebida.) Devagarinho, deu um beijo à mãe e, como se tivesse voltado ao estúdio de dança, dirigiu-se ao quarto, depois à cama, sem que o mínimo ruído tivesse oportunidade de se estrear.
Deitou-se. Sonhou um sonho acordado: que estava na praia, naquela mesma noite, e que afinal não existia dor no seu mundo. O seu mundinho ridículo onde podia não haver dor, se se sonhasse dolorosamente muito, mas sem se notar.
Levantou-se e pegou nas bandas de cera. Olhou pela janela sem que a janela desse por isso. Uma noite, a primeira, em que a depilação não doeu nem um bocadinho.

sexta-feira, junho 12, 2009

Apesar de cocó, eu amo-te.

Fica uma ode.
Uma ode aos amigos. À confiança. Àquela cumplicidade que nos embrenha uns nos outros. Àquele hábito tão nosso e tão bom de irmos conhecendo. Às coisas que acontecem: as boas e as más, que acabam sempre por fazer de nós quem vamos sendo.
Um hino a todas as pessoas que foram, nem que por um minúsculo momento, e mesmo que nunca o tenham sabido, o mundo para alguém.
Na prática, faço então uma ode às pessoas; ao ser humano em si, capaz de tanto. Capacitado para ir, ver, cantar, pensar, teorizar, rir, lutar, vencer, perder, acreditar, sobreviver...capacitado para ser plenamente e para amar aos bocadinhos.
E hoje, especialmente hoje, àqueles que perseguem os seus sonhos como podem, com quanto podem, e são dignos de esquilhões por isso.
Ao Miguel, ao Vasco, ao Hugo e ao Válter.

quarta-feira, junho 03, 2009

Para mim todos os dias são derrotas II

Porque senão eu ganhava.
Porque senão já não havia aqui nada para fazer, porque estava ganho.
Quero ir. Quero querer! Quero continuar a perder e a não ter para poder continuar a ir ganhando.
Quero, quero, quero, e quero nunca deixar de querer. Porque quando eu não quiser mais, já não há em mim sonhos, já não há em mim saltos, nem sóis, nem bichos, nem tangerinas, nem chocolates, nem foguetes, nem flores, nem precipícios, nem teoria alguma, nem qualquer réstia de vida.
Cada dia é uma chapada. Cada dia é a oportunidade de a curar. De a superar. E de confiar que, quando chegarem outras, havemos de chegar para elas todas.
Não há aqui nada que seja meu. Perdi tudo. E nada me dá mais força, nem mais poder, nem mais confiança. Não há aqui absolutamente nada que seja meu.

quinta-feira, maio 28, 2009

sóis ao longe

Sonho para descobrir a verdade.
Aprendi com o senhor Roda: à noite é que tudo começa verdadeiramente. Porque a realidade desaparece com a luz, e a verdade vem vestida de luar (e com queimaduras solares: a verdade não perdoa nem é perdoada...). A escuridão é que é iluminada! Ela é a luz de sóis ao longe...e deixa tudo ver num só espaço e a um só tempo!...
Com o sono, começo a pensar com o corpo, mas sem saber. Pensadas com o corpo, as coisas ficam mais claras, e isso dá-me poder. Ao meu consciente, ao meu inconsciente e ao meu subconsiente...mas sou sempre eu! Só aí me apercebo...tudo é um concurso de circunstâncias e oportunidades...como uma conjuntura pintada à mão...
E tornou-se necessário olhar as coisas só com olhos de peluche para não magoar o sono.
O que dá algum trabalho, mas faz-se bem.

domingo, maio 24, 2009

atchim.

Tenho medo.
E tu tens razão. Tens sempre razão.
Eu sou fraca. Teorizo, dou a volta, caio, levanto-me. Finjo que não aconteceu nada. E tu ganhaste sempre, mesmo quando eu não vi. Sou...pequena. Como é que ainda aí estás?...
A esperança cresce, débil, real, por entre a relva, no caminho, à vista, como um fungo impertinente. Cresce espontaneamente, quando e onde não deve, daquilo, do nada, do resto, do que não conta, do caos, do fundo, para vir assomar à minha derrota mais uns pontos negativos. E deslumbra-me. (Fraca!)

Às vezes preferia que já te tivesses ido embora, sempre me sentiria inocente. Assim sendo sinto-me só idiota. E deficiente. Mas como é que tu ainda aí estás?...

segunda-feira, maio 18, 2009

Viver é não conseguir.

Foi o pior. Hospital, dores, consaço, trabalhos, testes, dentista, sono, macacos no sótão, datas, prazos, desafinações, ai, estou, morta.
Foi horrível. E talvez por isso tenhamos chegado onde chegámos.
Ganhámos porque aquilo que ali fizemos era verdade.
Parabéns, bichinho, pela nossa vitória no V Festival Palotino.
Porque sem ti, nada disto teria feito sentido absolutamente nenhum. Porque és tu que estás, sempre, a dois lances e escadas de distância. E mesmo quando não há escadas, nem lances, também não há distância e estás sempre comigo. E mais não preciso de dizer, nunca precisei...
És eu. És o meu bichinho. E nós não somos nada de jeito.

sexta-feira, maio 15, 2009

Piri Fonseca Ferreira

A Piri morreu.
Morreu a 26 de Fevereiro de 2009, às 23 horas, 5 minutos e 20 segundos.
Morreu porque o pai e a mãe dela - que eram, como sempre tinham sido, os melhores pais do mundo - se destituíram mutuamente de pais. E sem pai nem mãe a Piri morreu.
Mas não foi bem por isso que ela morreu. E nenhum deles sabe disso. Eles não sabem que a culpa não é deles, e a Piri não sabe que eles não sabem que a culpa não é deles. A Piri sabe, sempre soube, que a culpa era dela. Se tivesse sido uma boa filha, seguido à risca a educação que a mãe e o pai lhe haviam dado, a mãe e o pai nunca se tinham sequer lembrado de andar à bulha. E hoje seriam aquela eterna família feliz.
A Piri morreu e a culpa foi dela.
Morreu a 26 de Fevereiro de 2009, às 23 horas, 5 minutos e 20 segundos, e ainda hoje isso lhe dói.

sábado, maio 09, 2009

Pensar incomoda como andar à chuva...

É a felicidade de uma criança na feira popular pela primeira vez. É uma festa, é um instinto, um arrepio! É uma alegria, um doce que não apetece engolir, um suspiro de satisfação. É um prazer, um deleite, um mimo para a alma. É do mais humano que pode haver, porque sensorial e quase quase quase! palpável. É viver!, é sentir, é respirar! É cuspir esquilhões de bocadinhos de salsicha no meio de uma gargalhada. É sentir tudo devagarinho e com as pontas dos dedos, mas só depois de muito rápido e de se ter melgulhado completamente. É chorar, porque é emocionar-se, mais ou menos racionalmente.
Sou eu. E, por isso, um bocadinho de ti. (Como é que tu não percebes??!)
.
O António um dia escreveu
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.
.
Fique-se com esta.

sábado, maio 02, 2009

RTX 78/24

É uma peça estranha. É o apelo de Rómulo de Carvalho aos planos de paz verdadeiros. Sendo que a verdade é o que enobrece por oposição ao erro que é a discordância entre o pensamento e o objecto do pensamento. É o sonho de Antonio Gedeão personificado no menino António e na menina Georgina à procura da sociedade regida pelo amor em que os homens falam todos a mesma língua.
Mais que uma crítica social, é a apresentação da solução e uma proposta de novo início.
O Grupo de Teatro dos Assassinos da Arte de Representar está na Malaposta na quarta-feira que vem e os bilhetes reservam-se pelo telefone e são grátis. E o palco é nosso.

O sol é teu.

Faltas aqui. Mas como é bom sentir a tua falta!
Só sinto a tua falta aqui porque estás no meio de mim e eu sei que estás. Se não estivesses, nunca poderia sentir a tua falta e ser feliz com isso.

quinta-feira, abril 23, 2009

Hino à minha liberdade

Este foi o dia em que a máquina do hospital sorriu para mim.
Um hino.
À liberdade de olhar abertamente, como Sophia,
e de ver e conhecer por dentro, como Ana.
De subverter a minha própria sociedade organizada, como Gedeão,
e de ver uma infinidade de pontos, como Deus.
Um hino à liberdade de reconstruir sistematicamente
o meu próprio equilíbrio.

domingo, abril 19, 2009

Hoje está sol.

Hoje está sol. O céu é de um azul muito claro, e as monstruosas sombras dos prédios da minha rua descansam, deitadas no meio da estrada.
Mas ontem estava cinzento, e eu podia ver o fim da estrada em que conduzias a tentar agarrar a cor do céu para a poder guardar só para ele, podia esconder-me das casas e dos cafés atrás do nevoeiro, e brincar com a minha mente às escondidas até me perder de vista, sem que mais ninguém soubesse, ou quisesse saber, ou tivesse hipótese de querer saber.
Hoje está sol. (O sol é teu!) Eu não tenho saudades nenhumas do cinzento que me inunda e me faz respirar fundo e sentir que gosto de dias cinzentos, porque isso seria não poder ter um dia cinzento, e eu tenho. Eu tenho.
Tal como tenho tubos de tinta-da-china e muitas razões para pintar.
Hoje está sol, e é todo muito teu.

sábado, abril 18, 2009

Solidaried'Art

Hoje já começou. Começou sorrateiramente e até devagarinho, no meio da noite, no meio do frio, como quem não quer a coisa...vá, como se fosse natural ser-se um dia tão importante.
Pusemos neste dia as nossas maiores expectativas. O nosso trabalho, as nossas mãos, as nossas ideias, os nossos tinteiros, a nossa gasolina, a nossa imagem, o nosso tempo, tanto de nós.
Aqui está um apelo à bondade. Aqui está o sonho colectivo de uma vida melhor. Aqui está todo o nosso crédito na Humanidade. Aqui está um grupo, simples, jovem, que se julgava morto. Aqui estão as pessoas que ousam dar as mãos a outras mãos que mais precisam. Aqui estão os jovens que acreditam que é assim que se anda: ao colo de Deus pelo chão do mundo.
Sinto-me útil. Mais que isso: sinto-me viva.

terça-feira, abril 14, 2009

Fragilidade

Esse baxel, nas praias derrotado,

Foi nas ondas Narciso presumido;

Esse farol, nos céus, escurecido,

Foi do monte libré, gala do prado.

-

Esse nácar, em cinzas desatado,

Foi vistoso pavão de Abril florido;

Esse Estio em Vesúvios encendido

Foi Zéfiro suave, em doce agrado.

-

Se a nao, o Sol, a rosa, a Primavera,

Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel

Sentem nos auges de um alento vago,

-

Olha, cego mortal, e considera

Que és rosa, Primavera, Sol, baxel,

Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.

Francisco de Vasconcelos

-

Gostei tanto do poema...é tudo verdade! Sinto-o hoje na minha pele.

sexta-feira, abril 10, 2009

Fica comigo.

É aqui que tu aprendes a sofrer.
Só sofre bem quem ama bem, e só ama bem quem está comigo.
Também tu me abandonas. Também tu adormeces. E Eu agonizo no meio dos pecados de todo o mundo.
Tu preferes ir estar com os teus amigos porque aqui não há palavras de conforto, nem é divertido, nem os teus problemas têm qualquer importância. Aqui há dor e solidão, e tu enfraqueces. Mas não te lembras de que os meus amigos me negaram e me traíram. Não te lembras do quanto preciso de ti, que tu fiques, que tu ores, que tu vigies, que tu esperes, tu.
Pedes, pedes, pedes... Chegou a minha hora de pedir. Abandona-te a ti mesmo, então. Abandona todos os teus projectos e apaixona-te pelo futuro que sonhei para ti, só para ti. Presta atenção. Tudo suporta. Não cedas às tentações. Instruir-te-ei e porei em ti o poder de incendiar o mundo com o amor do meu Pai. Não é fácil. Ninguém disse que era fácil. Não vieste aqui espreguiçar-te! Lembra-te de mim. É assim que aprendes a sofrer bem.
Fica comigo.

sexta-feira, abril 03, 2009

O vento lá fora

Círculos. Tudo são círculos.
Tal como uma infinidade de p.o.n.t.o.s.
Pontos que são sombras
E sombras de sombras.
E a vida é bela, e x a c t a m e n t e assim.
E dói.
Por todos os pontos
onde era para doer
e ainda nalguns onde
não era suposto.
Mesmo assim ela é bela.
Não era bela
nem ela
se não fosse assim.
A cena é ir.
O vento está lá fora
(O vento é para os loucos.)
E há-de sempre estar
Serve para ser vivido
Serve para ser sentido
E depois para se fugir.
É por aqui?
Há-de ser, mais ou menos...
Porra, pah,
por quem sois...
Teremos sempre o mesmo sorriso
Novo na cara
De quem risca e arrisca.
De quem se afia e desafia
Para ir à luta com vontade.
O dia só acaba deste lado!
Somos loucos, não somos?
Minha Marta, se somos.

terça-feira, março 31, 2009

Ponta do Sal

O mundo, lá longe, nem se ouve.
Um sorriso que mais ninguém viu
O mar e os pássaros e musgo e flores entre as rochas e um peito cheio de ar
O sol salpica as ondas de mil reflexos que cabem todos num olhar.
A magia não se explica, emociona-nos!

sexta-feira, março 27, 2009

tela por pintar.

é a melhor parte do jogo.

a adivinha.

com a certeza de que a resposta está certa, sem batota, por pura certeza e puro mérito próprio.

sabes que sim.

ou pensas que sabes.

sabes que sabes.

sabes?

terça-feira, março 24, 2009

Outono

Uma vez um homem encontrou duas folhas e entrou em casa segurando-as com os braços esticados, dizendo aos pais que era uma árvore.
Ao que eles disseram então vai para o pátio e não cresças na sala pois as tuas raízes podem estragar a carpete.
Ele disse eu estava a brincar não sou uma árvore e deixou cair as folhas.
Mas os pais disseram olha é outono.
Edson Russell

quinta-feira, março 19, 2009

Graça.

Estava na minha nova cama. Aquela cama branca naquele lado do quarto naquele andar daquele hospital. Tinha os olhos fechados, estava muito cansada, e era véspera de uma cirurgia.

- Amanhã vai doer muito. Mas o mundo dói mais que um dreno.

E então senti alguém pôr o dedo na ponta do meu nariz, antes de o tentar achatar como se isso resolvesse o meu nariz empinado. E então soube.

Há no mundo Graça, verdadeira Graça. Afinal, o melhor que aprendi no hospital foi a respirar fundo...e recomeçar.

terça-feira, março 17, 2009

Inspirar, Suster, Mandar fora.

O mundo corre, lá fora. Com todo o seu esplendor.

O majestoso sol inunda as cortinas com toda a sua violência, dispensando apenas alguns minúsculos raios que escapam por entre a teia do tecido para vir lamber o chão, e depois os lençóis da minha cama.

E eu espero.

Primeiro pelo dia, que se adivinha no céu madrugador que se espraia acolá, depois pelo pequeno-almoço - sempre carcaça com doce e chá - trazido pela enfermeira loira que nunca disse o nome, depois pela mãe, que a todo o minuto "deve estar a chegar", depois pelo resto do dia, sempre igual, e depois a noite já chegou sem passar cavaco às tropas e não é preciso esperar por ela, só pelo sono que nunca chegou, nunca.

Primeiro a Elsa, com o seu analgésico sorriso de criança, por volta das seis. Depois o Délio, às 7h, e com um problema engraçadíssimo com o sol arrebatador que teima em entrar. O Hélder há-de vir todas as tardes. A Daniela, para responder a tudo e informar de tudo. O Dr. Pedro vem antes ou depois do Hélder, ou antes e depois do Hélder, ou sempre que lhe apetecer, com o sorriso - tão raro! - mais bonito deste hospital. E o Dr. Martelo, a ética e a dignidade, a falar baixinho para só eu ouvir, enquanto abre ou espreita ou desinfecta, ou as outras coisas todas que eu nunca quis ver.

Por todos eles eu espero. Por eles e por muitos outros não precisam que os nomeie aqui. Pessoas. Que esperam pela minha reacção, pela minha força, pela minha vontade de continuar, ou pela ausência da reacção, da força e da vontade. Mas esperam. Sempre com um sorriso.

"Sim, Ana, espera só um bocadinho."

Eu espero.

O dia arfa, lá fora. Com tudo o que era meu.

Eu espero.

quarta-feira, março 11, 2009

Intervalos

O sol espraiava-se no ar como se pudesse fazê-lo com naturalidade. O calor seduzia a pressa, e as nuvens fugiram, a brincar à apanhada, para a parte mais baixa da cidade. Nós? Nós roubámos o pio do mundo para voltarmos àquele jardim só nosso...
- Gostas de mim?
- Já me perguntaste isso no início da outra trança, mas sim, gosto.
- Mas quanto?
- Três tranças.
- Mas três tranças é pouco!
- Sim, mas se deixares, gosto de ti a cabeça toda!

E eu vim para casa com quatro tranças no alto da cabeça.

segunda-feira, março 09, 2009

Vénus

Olha bem à tua volta.
Há aqui mais homens que mulheres. Sabemos que são muito diferentes. Vêm de lugares diferentes, cresceram em sítios diferentes... Mas agora, não olhes para as profissões nem para as origens; olha para eles próprios. Continuam, obviamente, a ser eles próprios...mas vê como em tão pouco diferem uns dos outros.
Agora repara nas mulheres. Em como diferentes são. Em tudo. E as mães, e depois as filhas. Em como já as mães são diferentes e as filhas a anos-luz umas das outras.
Não é engraçado?
E pronto, é assim que nos divertimos, mãe e filha, em jantares com muita gente.

sexta-feira, março 06, 2009

Segundo Caifás

É do género: comecem.
Comecem que eu vou atrás.
Vou atrás das vossas falas, vou atrás de mais um espectáculo, vou atrás da Paixão de Cristo, vou atrás da Nova Evangelização. Vou atrás do pano, e até posso ir com sono, mas vou.
E cada vez está melhor. Porque é mais que representar, porque é mais que partir coisas, porque é mais que levar com luzes e microfones. O que ali fazemos supera qualquer dessas coisas. No entanto, é ir de encontro a uma simples pergunta: E se fosse eu: também gritaria Crucifica-o!?
Estreámos a 28 de Fevereiro com casa cheia. 1 de Março, idem aspas. Próxima paragem: Portimão.
E o espectáculo começa sempre (mas sempre) à hora marcada.

segunda-feira, março 02, 2009

Phi

É pedido um trabalho para o ano inteiro. Os temas podem ser tão simples como a influência das massas nas cabeças das pessoas, ou os direitos dos animais, ou a emancipação da mulher. Mas não. (Epah há pessoas que me irritam.) Não se contentam em ser como é suposto, tipo seguir as propostas dos professores e assim. Têm sempre, sempre de aspirar a mais. Ai ai que eu quero uma tema filosófico. E tumbas! - ora aí está um tema que não só dá o triplo do trabalho, como dá o triplo do trabalho.

E é assim que eu abraço uma dor de cabeça ou um escarafunchar por Kant, Nietzsche, Camus, Sartre e outros que tais.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

"Ora e vigia"

Chega um ponto em que há inequivocamente uma única resposta para tudo.

Porque o amor é o único que a tudo sobrevive.

Mais que a confiança, muito mais que a segurança ou a cumplicidade. Sobretudo, mais que a amizade.

A única coisa que dá verdadeira força e verdadeira razão.

A capacidade de dizer, mesmo no mais profundo silêncio, eu amo-te.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

"Quem quiser vir após mim"...

É óbvio que nunca esperei que algum dia a vida fosse parar.

Isso é óbvio.

Mas só hoje é que percebi que não vai, nunca, de facto.

Não há um depois, nem sempre há. E eu não confio em mim para dizer nas férias trata-se disto ou daquilo. Não funciona.

Mas não vai parar. Independentemente de tudo. Não há cá cada caso é um caso nem vamos pensar no assunto. Não vai.

E há-de doer, sempre. Porque só assim é que dá.

E isto...foi isto que...vai fazer a diferença.

domingo, fevereiro 08, 2009

Hoje, especialmente hoje.

Terás sempre motivos para celebrar. Só o facto de teres vida dentro de ti deve ser um motivo de festa.

É forçoso admitir que há muita bosta por tudo quanto é sítio. As regras não são justas. E enquanto estivermos vivos não poderemos ser perfeitos, nem completos.

Mas a vida é um dom indiscutível, o maior dom de todos. É por isso que temos, por força, de perder os que amamos. É a única maneira de entender realmente a importância que têm. É aqui que a vida ganha toda a sua importância: na morte.

É por isto que tens de celebrar. Porque estás aqui, porque és uma pessoa, porque amas, porque és mais importante do que podemos discernir.

Parabéns, minha querida!

PS: Sabes, foi o primeiro ano em que faltei ao teu aniversário....but yet, acho que não faltei... :D

sábado, fevereiro 07, 2009

Para mim todos os dias são derrotas.

"Se vim ao mundo foi só para desflorar florestas virgens e desenhar os meus próprios pés na areia inexpugnada. O mais que faço não vale nada." Régio
Para quê tudo? Não sei. Mas acredito. O que interessa é ir. Ou ir indo. Sei que um dia vou perceber.

domingo, janeiro 18, 2009

Grey Days III

Dia cinzento é céu branco.
Dia cinzento é banco de jardim.
Dia cinzento é candeeiro alaranjado numa tarde crepuscular.
Dia cinzento é nariz frio, e vermelhinho.
Dia cinzento é um arrepio de felicidade.
Dia cinzento é uma poça no caminho.
.
Dia cinzento é a ponte, o compasso de espera - tão necessário! - para as amendoeiras em flor.
Dia cinzento é o nevoeiro que nos restringe a nós, obrigando-nos a travar conhecimento com o espelho, e a construir com ele uma relação à flor da pele.
Dia cinzento é acordar com olhos de peluche para não magoar o sono, na manhã azul que se espreguiça lá fora.
Dia cinzento é tinta-da-china de sol.
.
Estas nuvens espicaçam os meus nervos como um aguilhão. E o Inverno, esse invade-me. Como um conquistador.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Determinismo, um pormenor.

Podemos optar pelo que nos parece bom, quer dizer, conveniente para nós, frente ao que nos parece mau e inconveniente. E, como podemos inventar e escolher, podemos enganar-nos, que é uma coisa que não costuma acontecer a castores, abelhas e térmitas.
Savater, Ética para um jovem
Porque não estamos escritos. Não está lá, no nosso ADN, que temos de escolher este curso, nem que temos de dizer bom dia aos vizinhos no elevador, enquanto está no ADN dos cães atacar quando alguém se aproxima enquanto estão a comer, e no das térmitas-soldado ir combater e morrer pela colónia a que pertencem. No mínimo, não podemos negar a noção de responsabilidade ao fazermos uma escolha. Tudo o que fazemos pode estar determinado por tudo o que somos e toda a vida que temos para trás, mas eu teria sempre tido motivos, se quisesse, para escolher a outra via. Porque eu penso o que eu quero. Se eu quiser, escolho isto. Se não, não.
E é claro que falamos de duas hipóteses que me são completamente acessíveis, ou o meu discurso não faria sentido.
É isto que dói.
O peso da responsabilidade, da culpa. O saber que há escolha, que para além do mais é nossa.
Era tão mais fácil ser determinista...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Dois mil e troca o passo

Mais um ano que fica para trás.
E com ele fica tanta coisa... Sinto que, com o passar do tempo, me vou rodeando de amigos. É sempre curioso lembrar-me de algumas pessoas que já me foram o mundo...e que hoje pouco mais me são do que essa recordação, essa vivência passada. E esta separação acontece por várias razões...mas cada vez mais tenho a certeza de que, se de facto quisermos, os nossos amigos de hoje serão os nossos amigos de sempre. E lembro uma frase de Nietzsche, Hold a true friend with both of your hands. Creio esses true friends que são a melhor coisa. São a expressão do amor humanificado. Sim, mais que a família. Porque não gosto da minha família. Ou melhor, não é por serem família que gosto deles. Gosto dos amigos que encontro nas pessoas que pertencem à minha família. Gosto do amor que me dão. Não do facto de terem comigo qualquer relação de sangue. Não é possível gostar-se de alguém só porque é família, tal como não é possível gostar-se de alguém só porque é colega, ou vizinho, ou passa muitas vezes por nós na rua.
E então deparo-me, quase subitamente, com os meus desejos para o ano que tão devagar se tem vindo a aproximar. Quero passar pela vida sempre assim: não me arrependendo de não ter feito mais. Quero nunca mais ter medo. Quero tropeçar sempre em gente que me lembre que a vida sabe a coisas fantásticas como pão com manteiga e chocolate!
O que está, está bem, e como dizia o meu anjo da guarda...Siga pra Bingo, menina! :)

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Tempo de Natal

Tempo estranho. Muito estranho. Estranho porque toda a gente fala a mesma língua, mas ninguém se entende. Ou entendem-se, assim: $&=@!0{¨#. A parte mais engraçada é que o Natal não é nada disso.
Bem, o Natal é um amontoado de presentes, de azevinho, de velas, de velhotes barrigudos, de anúncios irritantes, de jantares, de postais, de sorrisos, de abraços, de visitas, de promoções, de renas, de missas. Mas há quem diga Não, não, na realidade o Natal é a festa da família, da solidariedade e dos presentes, das árvores decoradas, dos pensamentos bonitos. Alto lá, dizem outros, acima de tudo, o Natal é o mundo do Pai Natal, um velho gordo e bondoso, com barbas, sempre com um saco às costas e um fetiche por chaminés. Na realidade, no meio desta enorme confusão, alguns são capazes de conhecer o sentido original do Natal, creio eu. Aquela imagem, o sentido etimológico, a origem histórica... Só que a realidade é tão diferente! A verdadeira realidade do Natal é um assombro. O mais incompreensível não é que o Senhor que fez o Universo tenha nascido como um bebé, tão frágil e vulnerável quanto cada um de nós, morrido na cruz e ressuscitado. O mais espantoso é que Ele o fez por mim, pela minha vida. Esta é a realidade incontornável. O nascimento de Cristo é a realidade que muda toda a minha existência, em todos os meus dias.
Afinal o que é o Natal, pergunto-me. Sinceramente: Não sei! Um mistério que me escapa. Naquilo que é evidente, algo muito simples: um bebé que nasce num local pobre. Mas como pode este simples facto ecoar assim há 2000 anos? Não sei, man! Mas acredito!
Outra coisa de que muitos se queixam: é uma estucha. Epah, cansa imenso! As visitas, os presentes, as comidas, as sobremesas e - ai! - a família! E gastamos tanto dinheiro! É uma trapalhada, uma con-fu-são! Nem se consegue viver em paz. Porquê? Porque é Natal. É assim desde o início, minha gente. Quão cansada não estaria Maria, carregando com uma barriga de oito meses, fazendo centenas de quilómetros até Belém? A despesa da viagem, do nascimento, da ida para o Egipto? A confusão do recenseamento, a trapalhada do estábulo?
Canseira, despesa e trapalhada estão no centro do mistério que nos leva - ainda hoje - a celebrar o Natal. Porque o Deus sublime quis vir nascer como um bebé. Porque o Senhor do Universo pegou em toda a sua glória e a escondeu naquele estábulo. O Natal só existe porque o Verbo de Deus quis levar com uma enorme canseira, despesa e trapalhada pela nossa salvação.
Por isso hoje, quando corremos, gastamos e sofremos por causa do Natal, ao menos lembremo-nos do que Ele e Sua Mãe correram, gastaram, sofreram. Por nós. Participar no Natal é amar o próximo, mudar de vida, entrar no amor. O Natal não é canseira, é amor. O amor cansa. Mas se não amarmos, se não conseguirmos amar ou mesmo que não o queiramos fazer, ao menos participemos do Natal repetindo a canseira, a despesa e a trapalhada que foi desde o início. A canseira por causa dos outros é o primeiro passo para chegar ao Natal.
Com uma mãozinha do João César da Neves.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Leva-me contigo.

Talvez eu me encontre no sítio onde me levares.
Talvez eu descubra que a paz é um conceito real.
Talvez eu perceba que há um sítio onde eu posso dormir.
Talvez eu mude.
Leva-me, então, para onde quiseres.
Já não sei nada.
Sempre quis ser ciente, sempre quis crescer, sempre quis sentir, sempre quis saber, saber, saber! Hoje...não sou nada.
Leva-me no teu bolso. Gostava tanto de caber no teu bolso!
Ainda bem que existes.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Tu não estás a perceber.

É quando te separas das pessoas que elas te fazem mais falta. Isto é óbvio, mas preciso de pensar. E não falo de saudades, não. Isso também pode ser verdade, mas às vezes não é.
Falo de uma falta que passa realmente a existir, e que não é subjectiva. Porque uma pessoa pode estar a ser um ponto negativo na vida de uma outra pessoa, mas ninguém é só mau. Portanto, tudo o que de bom essa pessoa-ponto-negativo-para-outrem pudesse oferecer vai deixar de existir. Então faz, provoca uma falta. Porque falta lá tudo (mesmo que seja pouco) o que ela podia dar, ou ter dado, ou vir ainda a dar de positivo.
Nós nunca deixamos de precisar de colo. Ou de um abraço. Ou de uma bolha-actimel contra a poluição socio-afectiva da sociedade em que vivemos.
Assim, qualquer pessoa que nos desse algo parecido com um pássaro branco que esvoaça livremente dentro de nós, se deixa se estar junto de nós...faz-nos falta. Mesmo que sejamos grandes, crescidos, tão-para-nós convencidos de sermos senhores do nosso nariz. Não só nos faz falta como provoca um vazio imenso, uma lacuna, um poço escuro e digno de muitos pesadelos.
Não digo que as pessoas de quem nós nos separamos tenham de ser pontos negativos. Aliás, para uma pessoa ser um ponto negativo é preciso ser-se muuita mau...e felizmente, isso não acontece muito. Às vezes, separamo-nos porque temos de nos separar. Tem de ser assim! Não somos nós quem faz a maior parte das regras. E é nestes casos - em que nos separamos de pessoas que nos fazem sentir bem - em que elas nos vão fazer mais falta.
Não somos livres. Nunca fomos.
Estou presa a quantos me cativaram a mim, menos àquele que me cativou por inteiro e em todo o tempo, de maneira que não posso sentir que estou presa a Ele.
Todos temos as nossas asas, feitas de materiais que nos nossos pequenos mundos resistem a (quase) tudo. Não significa que não precisemos das dos outros hoje e para sempre, até porque nunca usámos as nossas só para nós...

quinta-feira, dezembro 18, 2008

domingo, dezembro 07, 2008

Chova.

São noites como esta que me apetece viver para sempre.
Todo o dia descobri pessoas, descobri lugares, tácticas, músicas, sabores, verdades.
E chego ao fim, podre, e vejo que onde eu cresci mais foi em mim...mas não em mim!
Cresci naquele eu em que "fui tu". Porque me pus lá. Aprendi a morar no eu que vive, meu, dentro das minhas pessoas.
E apetece-me chover aqui nomes de pessoas. Mas ia faltar sempre alguém. Para além do mais, não vale a pena, quem está sabe que está. É essa a melhor parte de ter amigos. Alguém dizia Nunca te expliques. Os teus amigos não precisam e os teus inimigos não acreditariam. Amigos.
Há uma chama que nos aquece por dentro, que nos impele a agir sem darmos sequer por isso. Como um chouriço que assamos às escondidas - tanto quanto um chouriço se pode assar às escondidas - e partimos em bocados que cheguem para todo o mundo repetir. E todo o mundo repete, sempre. Amigos!
São noites como esta que me apetece ter para sempre.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Catapulta.

Frágil, a minha boneca.
É tão frágil como um fio de cabelo de cristal.
Ela é forte, sim. Mas a sua força é o ponto fraco que faz da alma dela a mais frágil do jardim das bonecas.
Sabes que mais? Construí um castelo à volta dela. Da minha boneca. Podia protegê-la todo o dia, com todos os meus muros, num abraço de segurança, de pertença.
E depois nasceu a catapulta. Estúpida, a catapulta, hein? E os meus muros, até o mais alto e magestoso muro restou por terra. Hoje, a minha boneca não está protegida...
...nem está lá.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Pinneapple.

Não te sei falar. Simplesmente, não te sei falar. É como...se não tivesse palavras para ti. Quer dizer...não, não quer dizer nada, não tenho mesmo palavras para ti. Lá está: temos todas as armas contra tudo, estamos preparados para responder a tudo, e defendemo-nos de tudo, até do amor. Mas é amor que te tenho? Tenho amor a alguém a quem não sei falar? É que não sei mesmo o que te dizer. Tudo o que tinha, disse. Não há já nada que não saibas, ou tenhas sabido. Sou repetitiva, redundante, no que toca a ti. Impotente. Sinto-me tão pequena... És tão crescido...! Sim, sei que não escolheste crescer...és aliás das poucas pessoas que parece saber o verdadeiro valor do prazer de sermos crianças. És um homem. E eu tenho o maior orgulho em ti. Sei que não devia, na teoria não me és nada... Mas és tão grande! Se um dia eu tivesse metade daquilo que tu tens...fosse no que fosse: coragem, humildade, amizade, verdade, inteligência, doçura, capacidade de perdão, capacidade de entrega...oh, amigo, como teria enriquecido! Um dia dissemos que a nossa amizade sobreviveria a tudo. O que me fascina, ainda hoje, é a tamanha confiança e despreocupação que púnhamos nessas palavras. É que...não imaginávamos a vida de outra forma. Esses eram dias em que te chamava algo parecido com Melhor Amigo. Hoje? Posso chamar algo assim a alguém a quem não sei falar? Não sei....a mim apetece-me, porque nunca tive amigo maior que tu. Sim, posso ser ingénua, mas não creio algum dia vir a ter. E, no entanto, sinto-me perfeitamente inútil. Vou continuar aqui às voltas. Talvez apareça algo que me desvie a atenção, para continuar a viver no mundo ridículo que construí, aqui.

domingo, novembro 16, 2008

Shh...

O silêncio é como o escuro. / Pode meter-nos medo, pode deixar-nos desconfortáveis, pode ser tudo o que precisamos. / É no silêncio profundo de nós mesmos que nos encontramos connosco, acho. Não digo que é lá que nos conhecemos, porque nós conhecemo-nos nos outros, e nada se faz se forma solitária. Mas é lá que me encontro comigo, que me encontro a mim. / E o silêncio vai tendo uma grande importância em cada fase da nossa vida, digo eu. / Precisamos dele para dormir - mesmo que consigamos dormir sem ele, faz mal aos miolos - e para pensar. Ora dormir e pensar são das coisas mais importantes na vida, não? / E às vezes um silêncio vale mais que todas as palavras. / Mas como dizia o mfc, o silêncio é um texto fácil de ser lido errado. E é aqui que entra o conhecimento do outro, a cumplicidade. Se existe, tudo será claro. / O silêncio é das coisas mais bonitas que pode haver. / Um dia um amigo disse-me que à medida que vamos conhecendo uma pessoa, o silêncio tem um papel cada vez mais especial. No início, geralmente, é constrangedor. Moemo-nos por dentro a pensar "Diz alguma coisa de inteligente, diz!". Chega o dia em que o silêncio não dói, não faz mossa. É até necessário. Percebi que é assim que se constroem as amizades. Na confiança suficiente para não ter medo de ficar em silêncio. / E sou contente, ao pensar em todas as pessoas com quem não tive medo de me calar.

segunda-feira, novembro 03, 2008

Vekk.

Quero adormecer. Para sempre. Adormecer... Viver em Vale-de-Lençóis. Está declarada guerra de almofadas a quem se meter no meu caminho. E aviso já, porque está decidido: vou de pantufas.

sábado, outubro 25, 2008

Insisto.

A luz está onde a quisermos ver.
Antes de mais, teremos de a procurar por dentro. Tanto por dentro de nós, como pela parte de dentro dela. Unir uma coisa à outra: a nossa mais profunda vontade com a simples razão de ser dela. E então seremos como aquelas imagens bonitinhas das alianças que passam uma dentro da outra: a luz estará no meio de nós e nós no meio da luz.
É por isto que creio que quem procura a luz, ou a paz, ou a felicidade, ou o amor, nunca os encontrará. Quem os encontra não estava à procura deles. Porque quem os procura não está a ligar ao que de melhor há neles: são espontâneos. Nascem, crescem, brotam por si próprios, onde e quando a gente não estava mesmo à espera. Não os tenho, oh não! Não tenho nem conheço nenhum deles. Vou conhecendo... Gosto de pensar que lhes vou seguindo o rasto. Vou assim pela estrada fora, como uma criança mais ou menos paciente, que vai comendo os bocadinhos de pão pelo caminho, pão que a alimenta, que a faz seguir, que lhe deixa vontade para mais.
Citando António Gedeão, Tenho esperança. Uma grande esperança.
--> Foto tirada pelo Rui Pedro, em Taizé.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Doo-me.

Escrever. Mas sobre quê?
Não sei.
Então não escrevo.
Preciso de escrever. Preciso de escrever! Mas sobre quê? Sobre esta angústia que me come por dentro? Mas se não sei de onde vem, nem como veio, nem porque raio havia de vir...! Nem sei o que é! É, a um só tempo, a pura alegria de ter amigos bons, amigos fortes, daqueles que julgamos imortais...e o conhecimento desta dor e desta solidão a que não posso chamar senão ímpares porque nunca conheci piores... É, a um só tempo, a felicidade maior e a dor maior. É, a um só tempo, as palavras que não se dizem no maior abraço, e as palavras que não existem num choro silencioso e convulsivo.
É isto o amor? Um amor que lhe dói a si mesmo??
Um amor que se mata, que se morde a si mesmo, que é ao mesmo tempo a sua própria fonte de vida e o seu próprio cancro?!
É isto? ...

domingo, outubro 12, 2008

Peter

Um rapazinho que sempre o foi e sempre o será.
Podemos censurá-lo? Eu gostava de me poder recusar a crescer. Em verdade, acho que estou a aprender. A viver num mundo longínquo, onde as palmas ressuscitam as fadas e a liberdade mental é o único verdadeiro pré-requisito. Gostava de adormecer numa casa na árvore, mesmo antes de gritar Boa Noite a toda a minha pequena Terra do Nunca. De tocar flauta e cantar de galo. De ter sardas e andar com penas engraçadas na cabeça. De ser criança para sempre!...
Uma coisa já aprendi, embora nem sempre consiga concretizá-la. De uma maneira ou de outra, aprendi, e acho que é a mais importante de todas: aprendi a voar! Basta um pensamento feliz… Não importa que dia é hoje, nem as horas a que as trevas chegaram…basta um verdadeiro pensamento feliz!! E o meu é este: o meu próprio Peter Pan, que é a coisa mais linda que este mundo tem!

imagem do google

quarta-feira, outubro 08, 2008

Pequenina...!

Em queda livre vinha frustrada, injustiçada. Pura queda livre, para me suicidar de escuridão. O fundo nunca era visível, apenas caía num poço cada vez mais escuro, cada vez mais frio, cada vez mais sem fim. E é aqui, exactamente nesta frase da história que entra a teia. A teia é aquela coisa que se resolve estender por toda a largura do poço, de modo que, suavemente (sim, que sou levezinha), eu aterre e estanque a meio da queda. E de que é feita uma teia? Bem, uma teia é feita de pequenas linhas, finos fios de memória que ficam bem marcados num passado singular. Uma teia é feita de Marta e é feita de Pedro. É feita de Croov, Válter e Ruth. Uma teia é feita de Inês, de Mariana, de Clara, de Alina, de Sofia, de Tiago. Uma teia é feita de teatro, de mãe. Uma teia é feita de abraços, de desabafos, de choros e acalmamentos. Feita de Podes contar comigo!. Sinto-me bem pequenina, uma menina suja e triste a quem só os bons dão colo. Só os que vêem ali mais que um vestido e uma cara sujos, só que sentem amor em vez de pena se atrevem a dar colo. Sinto-me bem pequenina, porque apesar de saber a verdade, sinto que não podia estar a sabê-la de maneira melhor. Sinto-me bem pequenina...porque preparada para me deixar nas mãos dos meus. E descobri. Uma teia é feita de Deus. Mais que isso, uma teia é feita por Deus.

domingo, setembro 28, 2008

Até ao fim, repito.

Porque Até já seria ir embora e voltar daqui a bocado. ................... E para mim viver não é isso. ...................................................... Porque andar com um sorriso na cara seria mentir-me a mim e ao mundo. ....................................................................................... E para mim viver não é isso. ...................................................... Porque ter todas as respostas seria saber responder a tudo. ........... E para mim viver não é isso. ...................................................... Porque nunca fraquejar seria ser de ferro, inabalável, insensível. ... E para mim viver não é isso. ...................................................... Porque temer o fim seria não o compreender. ............................ De tudo o que sabia fiz o que fui capaz. .................................... Quis ser unicamente um fermento de paz. ............................. Passei. E não somente aqui, na minha rua, passei. ................. Débil, passei. Frágil, passei. Pobre, passei. E acabei. .................... A vida continua. ...................................................................... Fim, Eugénia Pedro

quinta-feira, setembro 25, 2008

Até ao fim.

Há pessoas que nascem para ser grandes. .............................................. Há pessoas que nascem para nos fazer crescer. ..................................... Nascem para ser fortes, para lutar até ao fim. ........................................ E depois partem, quais heróis, da nossa presença. ...................................... E depois já não precisamos de andar à procura delas, simplesmente falamos, como loucos. .................................................................................. A vida não é justa. .......................................................................... Mas não descansamos enquanto não dermos todo o amor que pudermos dar. Porque é assim, o amor. .................................................................... Porque só assim funciona. ................................................................. Há pessoas que nascem para morrer. ...................................................... E só elas vivem, de facto.

terça-feira, setembro 23, 2008

Puro soluçar.

És o melhor.
És frágil, e isso faz de ti o mais forte de todos.
Quero que saibas isto.
Também quero que saibas que te amo.
Vais esquecer-te. Um dia vamos esquecer-nos todos e o que está para trás não vai importar nada nunca mais.
Mas independentemente de tu te poderes lembrar, independemente de eu o saber mostrar, independentemente de tudo o que o mundo nos obriga a viver, eu amo-te. E tu és o meu melhor amigo. E o melhor amigo que alguém poderia ter. Era só isto que eu precisava de dizer hoje.
E já está.

domingo, setembro 21, 2008

Primeira semana

Receita: ......................................................................... Escola nova; horário-manta-de-retalhos; marcadores permanentes; farinha do super mais próximo; água (daquelas de 1.5l que custam 13 cêntimos, de preferência); manuais escolares que se parecem com os dicionários Petit-Robert, e que comprados na vulgar livraria pagariam um carro. ........................................................................................... ...Será preciso dizer mais alguma coisa?

domingo, setembro 14, 2008

Get storm.

foto do google
Hey, what’s your name?
Margarida.
What?
Like the pizza, you know?
Oh, ok. Who are you?
This is me.
What are you waiting for?
The cold. I’m waiting for the cold.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Let's laugh.

imagem do google
É em noites como esta que me sinto realmente bem. ...... Brota a autenticidade das nossas gargalhadas. .................. As gargalhadas não foram feitas para serem bonitas, ou para soarem bem. As gargalhadas são brutas, só por si. É isso que há de mais belo nelas. A brutalidade com que se fazem notar. A violência com que rasgam a atmosfera. O facto de serem cheias, inteiras, mesmo que fiquem a meio. É toda uma vontade - de que o peito se enche - de dizer ao mundo que é ou está feliz. ................................................................... As gargalhadas não são cristalinas nem suaves. São um grito de prazer. ................................................................................ Vou guardar esta noite e nunca mais sair dela. ................... Ao Válter e à Mariana, as melhores companhias que eu podia ter arranjado.

terça-feira, setembro 09, 2008

Taizé.

Tenho amigos que buscaram paz interior.
Entristeceu-me tanto saber isso!
Mesmo que eu quisesse, não poderia voltar a casa como se nada tivesse mudado, como se apenas tivesse tirado uma semana de férias.
Porque mudei, de facto. Aprendi a viver e sentir tudo como se tudo dependesse de como eu vejo as coisas e dos passos que dou. Viram o último filme da trilogia dos Piratas das Caraíbas? Lembram-se do que eles fizeram ao barco? Foi exactamente isso que me aconteceu. Afundei-me para ir buscar ao fundo aquilo que estava lá em cima.
Estar em Taizé é...respirar paz, é ter amor espontâneo, universal e gratuito mesmo mesmo à flor da pele, é divagar ao som dos sinos da alvorada, é descobrir um mundo que parece feito de sonho! É um arrepio, um duche de tranquilidade. É aprender a rodar os olhos 180º.
Descobri pessoas fantásticas. Mais que gestos bonitos, encontrei gente que parecia transbordar de verdade, de honestidade, de entrega.
Quanto à minha vida, faço agora uma nova leitura dos mesmos factos. Faço-a com mais fé, com mais alegria, com mais certezas. É como se hoje tudo fosse mais nítido.
Fica um muito obrigada a todos quantos fizeram de Taizé - que já por si era mágico - um lugar único e inesquecível, que soube - de facto - a pão com manteiga barrado a chocolate!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Três horas

Três lindas horas passei eu mais a minha rica mãezinha na Loja do Cidadão do Odivelas Parque.
E para quê?, perguntam vossas mercês.
Hum...bem...no final das contas...para nada.
Não nos serviu de rigorosamente nada estarmos ali desde as 10.40h da manhã.
"Ah e tal e se não tem o nº de beneficiário não lhe posso ajudar..."
O que realmente interessa é que depois de todo um dia de correrias já tenho o meu papelito que diz que estou à espera do meu Cartão Europeu de Seguro de Doença...e que assim já estou autorizada a ser violentemanete atacada por qualquer bicho, vírus, furacão estrangeiro.
Nos entretantos...calmamente...Taizé espera-me.

terça-feira, agosto 19, 2008

Cócoras

Um dia eu fujo. Fujo. Corro; corro até não poder mais. Viverei num mundo pintado a tinta-da-china. .......... Tinta-da-china preta, oh sim, preta. .................. Levo comigo a minha tinta-da-china branca e o meu pincel, e assim posso brincar às bonecas. ....................... Um jogo que só eu conheço, e que mais ninguém pode jogar. Ou será que sou sozinha? ............................ … ....................................................... Um mundo onde eu não duvido nunca: ou é preto ou é branco. ................................................. Mas só não duvido quando eu não quiser duvidar. ....... Sim, quem diz que eu não duvido quando me apetece? ..... Se eu quiser a tinta é verde e ninguém tem nada com isso! Ninguém tem nada com isso se ninguém quiser jogar! ...... Ou será que sou sozinha? ............................. … ....................................................... Um dia pego em ti e fugimos os dois.

sábado, agosto 16, 2008

Santa Cruz

Um cartão do metro, dois bilhetes de autocarro, e 'bora lá.
Como sabe bem ter amigos com quem partilhar as coisas! Aprendi que a distância pode ser saudável: obriga-nos a aproveitar melhor o tempo quando estamos juntos.
A cada encontro, um convite: não nos perderemos de vista!

quinta-feira, agosto 14, 2008

Yummy...

Apresento-vos a minha obra prima de hoje!
Lá está, são os truques femininos que eles nunca terão; e este, certamente o melhor exemplo deles: arear os tachos! (Neste caso, talvez a forma...)
Eu nem sequer gosto muito de chocolate em bolos, mas hoje apeteceu-me!... Quem quiser um bocadinho, não hesite: a campainha daqui é já ali! :)

quinta-feira, agosto 07, 2008

Saldos

É tão bom encontrar uma loja com eles generosos!!
Hoje, foi a vez da Alta Roda, uma das minhas lojas favoritas. É em Campo de Ourique, e parece que é uma das lojas de eleição do Jet-7 lisboeta... Tem peças que, sinceramente, nunca me imaginaria dentro daquilo (como, aliás, qualquer dos vestidos da foto)... Mas encontro sempre coisas de muito boa qualidade, ao meu estilo, e tenho um atendimento verdadeiramente personalizado e prazenteiro. Conhecem-me e sinto que estou quase entre amigos. Assim que chego, "Ai, ainda bem que viestes. Tenho aqui uma peça que vais a-do-rar!"... Adoro vestir e trocar e experimentar, mesmo que saiba que não vou levar, e ninguém lá se importa com isso! É um autêntico antibiótico!! O único grande problema da Alta Roda é o preço. Mas hoje, está quase tudo a 50% de desconto, e foi mesmo para afogar a crise! :D
Gajas nas compras...é o que dá!