quarta-feira, novembro 04, 2009

BANG BANG YOU'RE DEAD

(Josh) O que é isto? Quem está aí?

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(Michael) Então fazes da tua cara uma máscara.

(Katie) Uma máscara que te esconde a cara.

(Mattie) Uma cara que esconde a dor.

(Jessie) Uma dor que te come o coração.

(Emily) Um coração que ninguém conhece.

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Texto William Mastrosimone
Tradução Sofia Torres de Carvalho

segunda-feira, novembro 02, 2009

Isso e couves.

Era cortar-lhes as cabeças, espetá-las em paus, plantá-los ao sol até secar. Ou então deixarmos de ser idiotas, que também serve e é ligeiramente mais económico.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Chove.

Chove como se nevasse.
É um esforço que se faz.
Às vezes, para respirar.
Mas é um esforço.
E isso conta só por si,
e viver assim deixa-me feliz.
Hoje chove como se nevasse. E nem sempre quando chove chove como se nevasse. Não é sempre. E nem sempre quando chove como se nevasse eu dou por isso, por isso são ainda menos as vezes em que para mim chove como se nevasse.
É um esforço. É sempre um esforço. (É por ser um esforço que há reforços...!) É por haver esforço que há certezas. É por haver esforço que andamos em cima de dois pés. É por haver esforço que não há de que ter medo.
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E...frio. Há quem seja lindo e tenha frio.
Porra, ninguém me tira isto.
Vou chover. Como se nevasse.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Non abbiate paura!

Em português de Taizé, nada há a temer...

E isto é fácil quando é fácil. Até por definição.

O resto? O resto é quando cresces, em facto.

sábado, outubro 10, 2009

linhas

Ela tinha uma certeza naqueles passos, como se todos os passos tivessem um sentido. Algo maior expandia naquele peito, e isso transbordava, mas só para quem olha.
Há uma certeza, ao ir, de que está tudo. Onde devia ou não, bem ou não...pouco importa. O que está, está. E o que está, está bem. São estas as linhas com que se cose. E é isso que aquele peito e aqueles passos tinham de especial. Não estavam cheios de si, nem de ninguém, mas de algo maior. Algo maior.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Lalala, j'suis un escargot!

Avant tout, je suis celle qui demeure.
Je suis un escargot qui se demeure, mais qui passe. Qui passe au côté ou devant les choses, mais qui ne passe pas sans les connaître, sans les connaître dedans et en vérité. Et c'est ça car je me demeure: n'oubliez pas ma condition d'escargot!
Pourquoi est-ce que je me demeure, vous vous questionez. Comment ne pas me demeurer, je vous demande... Avez-vous vu les gouttes de la pluie d'hier posés dans le frais gazon du jardin? Voyez-les, s'il vous plaît! Dites-moi, dites-moi si elles sont ou pas la demeure d'or que je ne peux pas voir, seulement sentir...
Je me demeure et je demeure. Et je passerai.

quarta-feira, setembro 30, 2009

O início.

Não é difícil despedires-te. É chegares ali, àquela barreira, seja onde for que a criares, e dizeres Adeus. É o bastante.
Aí colocas tudo o que sentes. Não por te estares a despedir, mas por ser assim que a vida se vive. Não será necessário mudares o modo de viver por uns minutos - aqueles, a despedida - ninguém quer que sejas outro quando te despedes.
Porque a despedida é unicamente uma coisa que dizes. Di-lo, sem medo de dizer. As palavras não te vão comer. Não evitará a partida o facto de adiares as palavras. Diz tudo, diz cedo, e depois cala-te. É relativamente fácil. E bastará, ainda que não pareça.
Alguém dizia que quando nos aproximamos do final, voltamos sempre ao início. O início. Todos os inícios são uma história, e quase todos são mais que uma história. Contamo-la ao nosso ninguém como a uma criança - uma história mais ou menos apetitosa: consoante o tamanho do sorriso que trouxer.
Bem vistas as coisas, porque não nos calamos?

segunda-feira, setembro 28, 2009

FAME 2009

Uma reedição do original, que data de 1980. Um FAME na Nova Iorque de hoje.
Estreia a 1 de Outubro no cinema português e eu tenho de ver.

terça-feira, setembro 22, 2009

Minuto

E depois olha-se e já passou. Já passou a Primavera e o Verão e muitos Outonos... Quando foi que ficámos com os Invernos, amigo?... Lembras-te?
Era uma tarde de semana, um dia qualquer. Estávamos a caminho do Mc'Donald's. E veio o gelo invadir o nosso Outono jovem, quente e castanho e cheio de poças, para tudo tornar branco, tudo gelar, tudo adormecer, tudo anestesiar...
Tu não estavas, como poderias lembrar-te...?
Foi sobretudo por não estares que tivemos a certeza que o Inverno tinha chegado. Para ficar.
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O tempo passa, pega em tudo o que quer e leva. Ele que leve.
O nosso segredo ainda é nosso: a força maior que o mundo tem.

quarta-feira, setembro 16, 2009

segunda-feira, setembro 07, 2009

O Outono II

Deste-me um beijo. Virei costas, ajeitei o gorro e abandonei o espaço em que ficavas, aceso e distante: recônditos e aconchegantes refúgios de mim.
E estava a chover. Aquele som invadiu-me, como se de há anos atrás se tratasse. Aquela imagem, mágica, do chão pintado de pedaços de céu, impregnou-me daquele cheiro.
E lembrei-me, de súbito. Da nossa chuva. Até o meu nome, que há muito deixara de me fazer cócegas na nuca. Aquilo que era o princípio e o fim de nós, o início e o final de tudo quanto, juntos, tocávamos com as pontas dos dedos.
Tanto porque chegaste inesperado como um aguaceiros, logo no primeiro instante, como sempre foste - aquela presença que me encharcava em alegria, que me enchia de liberdade para transbordarmos em confiança...eras a criança que havia dentro em mim, e que me fazia querer chapinhar em poças e rir à gargalhada...
Tanto porque a minha chuva eras tu. O meu suspiro, o meu alívio, o meu conforto, o meu amor, o meu abraço, a minha frescura, os meus esguichos, o meu arrepio a cada momento que vislumbrava esses olhos doces ou sentia a tua voz bater em cada pedacinho de dentro de mim...
Hoje vais e voltas e tudo quanto é teu não dura mais que um instante. Hoje apareces e desapareces com a rapidez e instensidade com que aquelas gotas chatas nos acertam exactamente entre a nuca e a roupa que nos cobre as costas.
Não deixa de ser curioso. Amo-te como - parece - desde sempre. Nada mudou de lugar, mas acho que ele não conseguiu ficar no mesmo sítio. Não podia, né?
Vai. Farei de cada tempestade o meu mais profundo aplauso. Lembra-te de mim.
Vai. Não preciso de ti para te amar, porque te amo - mesmo - assim. Vai. Sonha, corre, luta. Vencerás.
Vai. Nada me faria mais feliz que saber-te feliz.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Saltinhos

Há dias para tudo. O que é uma grande mentira. Nós é que podemos tudo.
E é assim. Ele está.

terça-feira, agosto 11, 2009

"Cum escamartilhão!..."

Eu descobri que estar chegando é estar partindo ao mesmo tempo.
Não há cá metafísica: é tudo software. A alta tecnologia dos pequenos sinais de vitalidade liga aqui e aqui e aqui, em sítios que não se vêem nem se pegam.
No sistema central, a Unidade da Dor vive consciente de que a dor não termina, dê por onde der, e a boa notícia está por aí: a dor não termina. Simplesmente não termina. É aqui que começa a minha liberdade. Tal como Thibault queria, na verdade.

sexta-feira, agosto 07, 2009

assim sem mais nada, com voz de rádio antigo

Pois eu tive um sonho.
E dançava-se e tudo. E não era tudo bom, porque não era daqueles sonhos queridos e fofos. Continuava a existir cancro e fome e o alcool continuava a ser a 4ª causa de morte em Portugal.
Eu tive um sonho.
Eu tive um sonho e depois acordei, e não posso dizer que a realidade fosse melhor, porque não sei, mas talvez não fosse - como já disse, não sei, - mas o que é facto é que. É o quê? Well, basicamente, Há aqui coisas. E isso conta.
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Mais do que tudo.

quarta-feira, agosto 05, 2009

come. e cospe.

Charlie Chaplin estava enganado.
O riso e as lágrimas não são antídotos contra o terror. Porque antídotos anulam venenos.
O riso e as lágrimas antes são subterfúgios. Antes são máscaras, são desculpas; saídas boas e convenientes. E fáceis.
O terror está lá e lá fica. Tal como o medo. Tal como o pavor e o nojo e a dor. Ferem, destroem, escarafuncham. Quanto mais forem disfarçados, mais diluídos, mais escavam, mais roem, de maneira mais atroz de cada vez.
Ri-te, porque rir faz bem! E depois chora, chora tudo aquilo por que te vai apetecer chorar. Não vai ser pouco! Chora. Chorar faz ainda melhor do que rir. E depois reage, como toda a gente que se encara e se afia e desafia para riscar e arriscar. É a altura em que tu cospes. De surpresa. De nojo. Passou o riso e o choro e tu percebeste que o terror ainda te sorria, à tua frente e a comer da tua mesa.
Tua?
Não. Haha. Nãão. Nada será sempre nosso.
Se isso te sossega, nem o terror.

Segredo, como a cor.

São de quem esconde. São de quem tem.
São um por enquanto, mesmo que seja eternamente.
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Não gosto, pronto. Só isso. Peço desculpa, então.

terça-feira, julho 28, 2009

Ano 2000

Na capa do manual de Língua Portuguesa estava escrito um poema de que nunca mais me esqueci. Salvo erro, de Alice Vieira. (Se estiver errado e me lembrar mais tarde do nome correcto, venho cá corrigir.)

Lá estava, escrito à mão, em letras gordas e...hum...de principiante. Hoje ainda é verdade. Como o sol.

Gosto da palavra e da letra

Gosto de quem a escreve

Qualquer letra ou palavra é preta

Num fundo branco de neve

domingo, julho 19, 2009

Atrevimento

Uma viagem silenciosa, como quem está no meio da rua a ver um furacão chegar. Não é bem medo. Antes uma confiança estranha no que está para vir. Bom ou mau...nada a temer: é uma experiência.
Gosto de me sentar no chão e cruzar as pernas "à chinês".
Espero, apenas, pelo que vem na travessa para a minha mesa.
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Atrevo-me a ficar, tão somente, a vê-lo chegar. Por vezes, corro para ele na ânsia incontida; por outras, recuo um pouco para ganhar algum tempo que ainda me é útil. No final, e seja como for, é sempre um encontro desejado. Ele vem ao meu encontro e eu espero-o no meio, no centro, onde a pressão é nula.
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É assim que tudo posso: está tudo bem.
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Pois é. Fui para um convento. Se doeu? Obviamente. Enxertos de porrada deixam sempre as pessoas - que sentem - doridas, com nódoas e cicatrizes provenientes das investidas mais certeiras. Não nasci de novo. Não mudei de nome. Não mudei de vida. Mas estou aqui...dorida...e a digerir.

sexta-feira, julho 10, 2009

téni

Ténis? Tennis?
O que é certo é que tenho um sapato no tecto.
Ao contrário, i. é, de cabeça para o ar. Se é que os sapatos, ténis, tennis, têm cabeça. Bem vistas as coisas, o téni (ténis?) não é meu. Nem o tecto.
Mas está lá, o sapatinho. Pendurado pelos atacadores com um laço, com a sola virada para cima, no céu do quarto onde eu durmo.
Há pessoas que fazem ahh depois de beberem água. Há pessoas que escrevem livros, e também as há que não os escrevem. Todas as pessoas são estranhas pelas coisas que fazem, sobretudo porque fazem essas coisas não as outras possibilidades de coisas para fazer. Há pessoas que dizem téni, e também isso nos diz qualquer coisa.
O que é estranho, então? Tudo? Gosto que sim. Afinal é isso que nos apaixona nas pessoas.
Lembro-me de estranhar escrever o meu nome. Era assim que eu me chamava, e agora podia escrevê-lo.
Voltar a olhar. Uma primeira vez.
No tecto, ao menos, não está desarrumado.

segunda-feira, julho 06, 2009

Rolling Stones

Às vezes, tudo o que eu queria era um dia cinzento.
Às vezes nem queria, só precisava.
Só um, nem tinha de ser o dia todo, só assim um bocadinho durante a tarde, por entre a gritaria e confusão deste sol cataclítico.
Mas a gente não manda. E eu sou um bocadinho de gente. Se a gente não manda, bocadinhos dela mandam ainda menos. Right?
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No entanto, às vezes, não só o dia fica cinzento e escuro, e fresco e ventoso, e limpo e grande, e espaçoso e cheio, como também se farta de chover e ainda nos cai uma senhora trovoada em cima. Passa-se ali um dia inteirinho - inteirinho! - em que o sol não atrofia cérebros nem músculos nem poros, se limita simplesmente a preguiçar sobre as fofas nuvens que fazem o favor de chover cá para baixo. Alguns bocadinhos de gente ganham ainda a possiblidade de passear - individualmente ou não - debaixo dos pingos indefinidamente sistemáticos e torrencialmente sequenciais daquela liberdade imensa e de depois ouvir a serra respirar ou sentir a cidade renascer. E tudo isto de graça!
Os Rolling Stones são famosos por causa daquela frase deles a respeito de nem sempre se poder ter o que se quer, mas às vezes conseguimos ter aquilo de que precisamos. Sublinho: às vezes, podemos ter o que queremos e o que precisamos ao mesmo tempo, com tudo grátis e às vezes até há beijinhos!