Um blog acerca da concordância entre o pensamento e o objecto do pensamento. Por meio de tentativas, erros e silogismos parvos, usando de alguma dialéctica, muita metafísica e muito pouco distanciamento crítico. O eu não existe. Mas os pijamas sim.
terça-feira, setembro 06, 2011
Ano velho. Ano novo.
terça-feira, julho 26, 2011
Alegoria da Caverna
"Talvez o brilho das estrelas seja semelhante ao brilho dos olhos daqueles que nos acompanham. Passamos o dia-a-dia com eles, pensamos conhecê-los, pensamos que na luz jamais os confundiremos. Mas e sem a luz? Alguma vez olhámos para eles? Alguma vez fomos ao encontro do brilho dos seus olhos?..."
André Silva
quarta-feira, junho 15, 2011
Sintra II
O que é que muda o que tu pensas? O que eu faço? O que eu digo? E eu? Mudo-te? E o que eu sou? O que é que te faz mudar? Ficar é mudar, quando se trata do tempo. Crescemos e envelhecemos e vemos os nossos pais envelhecer. Amigos, ir. Mas ficas. O que é que te muda?
Eu estou a ser tudo o que tu queres. Tudo o que tu precisas. Sou o que desejas e revejo-me e conheço-me dentro dos teus olhos. Dou-te, para além de mim, outros olhos para ver o que tu és realmente. Outras mãos para moldar a realidade, outros dedos para a tocar, outros braços para a abraçar, outro cérebro para a reinventar.
É este o nosso jardim. Passado, presente, sonho. Porque quero ter sempre a minha mão ao pé da tua. Mas a melhor parte do nosso jardim não é essa. É o nevoeiro... O nevoeiro e a neblina e o orvalho que são vida e mística destas flores e destas árvores e de todos estes bichos e plantas. O nevoeiro que é real na certeza de que não nos compete saber os tempos nem os momentos. O nevoeiro que só pode dar vontade de investir, de querer fazer sempre o melhor.
O jardineiro muda, ao ficar para cuidar. Mas o que é que o muda?...
terça-feira, junho 14, 2011
Sintra
que quando os sonho chego a ter saudades tuas.
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Entretanto tu és a mesma e continuas
a pôr cravos e rosas ao pé do meu retrato,
e idealizar uma casa ao rés das ondas
(mal pensas nela, riem nos teus ouvidos nossos filhos)
e a fazer da Vida precisamente a ideia
que fizeste de mim desde a primeira hora.
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Era assim, boa e simples, que antigamente chegavas aos meus sonhos.
E como eu, pela minha, calculava a tua pressa,
fazia-te chegar rosada e ofegante, exausta de correr
da tua porta à porta da minha fantasia.
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O tempo era o das flores...
E tu colheras uma no caminho e vinhas dá-la
ao maior e melhor de todos os poetas.
Eu fingia fingir acreditar no que de mim julgavas,
e era já acordado que beijava as tuas mãos,
pois desceras comigo do sonho e à minha volta
o estremecer alegre e o perfume suavíssimo do ar
e um silêncio igualzinho ao que se faz quando te calas
eram a tua presença verdadeira...
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Por que não vens agora?
Todo o tempo é o tempo das flores, para os poetas...
E tu pensas de mim o que pensaste sempre
e bordas nos lençóis as nossas iniciais.
Por que não vens?
Chegarias ainda rosada e ofegante.
Não virias molhar de lágrimas os meus sonhos,
porque não sabes nada... Nem sequer
que até esqueci a cor e o corte do vestido
que tu estreaste (há quantas Primaveras?)
no último sonho em que sonhei contigo...
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terça-feira, maio 31, 2011
Só aqui.
domingo, maio 15, 2011
A vida partilhada
É a vida partilhada que vale a pena ser vivida.
As pessoas a quem nos damos, com quem nos deixamos...esse abandono é que nos dá...existência. Este dar-se, este partilhar é que nos torna vivos.
Não vou dizer que quem se estilhaça pelo mundo encontrou o elixir da vida. Às vezes partimo-nos. Isso é diferente de partilhar. Partilho algo que era meu e passa a ser teu e meu, mas parto-me quando perco aquilo que dou. Isso não é partilhar, mas estilhaçar-se. Mas sobre isso não interessa falar, hoje.
Vim aqui só para dizer que descobri que tudo tem de ser isto. Tudo deve, no ordenado conhecimento de si, encaminhar-se para o sentido único de todas as coisas humanas, que é a vida partilhada.
terça-feira, maio 03, 2011
Início.
quinta-feira, abril 14, 2011
This is the dawning of the rest of our lives.
Mas ali eu vejo as minhas pessoas. E ao lado, atrás, ou à frente, todas as minhas outras pessoas. Ali, vejo-me a mim, vejo todos os que eu sou, e vejo a alegria que temos em partilharmos o melhor que somos. Mesmo que seja só estar um bocadinho na praia no início da Primavera e levar chapadas de areia a cada 5 segundos.
Hoje eu conto. E a primeira coisa que tenho para contar é isto mesmo: não há outra vida que eu queira ter, outra família ou outros amigos. Construíram-me, todos. E eu tenho tudo aquilo de que preciso.
quinta-feira, abril 07, 2011
Colo do Mundo
segunda-feira, março 21, 2011
Hoje, epiteto-te de outra coisa.
A possibilidade de cheirar pela primeira vez? De saborear pela primeira vez? De pela primeira vez correr, cozinhar, limpar, rebolar na relva? Ir apanhar amoras depois da chuva? O dom de ser e de aceitar e de participar da empresa maior e mais feliz de todas. A faculdade de respirar cada tempo, a faculdade de recomeçar.
Não imaginas como é bom estar aqui., sorriu ela. Como Pedro disse ao Cristo.
Hoje, epiteto-te de outra coisa. Uma outra coisa, maior que nós, que tudo o que conhecemos. Um ponto, um átomo, o mais pequenino de todos. Aquele que é mais verdade que o sol. Que vinha antes do princípio, e que eu guardo no bolso. A sombra da sombra da sombra mais branca e mais redonda de todas. O Mosteiro Invisível que cabe inteiro num adenoma da sela turca.
Deus, na minha casa.
segunda-feira, março 14, 2011
Decantação?
Onde ficaste? Que foi que deste? Onde moras? És quem?
Moro porque sei que tem mais sabor. Não o sinto agora, mas... Minto. Sinto-o agora já porque o antecipo, sabendo que me vai saber melhor. Saboreio hoje o saber que amanhã vou sentir-me bem por ter esperado, aqui. Se quiseres, é puramente egoísta, morar. Porque vai ser melhor para MIM.
Vou continuar a esperar. Inteira?
Vou fazer a minha decantação. Decantar-me. Quando acabar, descubro. Espero.
Tic, tac, tic, tac. Olha eu a morar.
quarta-feira, março 09, 2011
Decantação?
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Campos.
domingo, janeiro 23, 2011
"Deus é a cabeça!"
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Exquis
terça-feira, dezembro 14, 2010
Anjos e Magos
É incrível. Era preciso estarem lá, para que vos explicasse.
Há sempre uma parte do texto que ainda não tínhamos ouvido. Pelo menos, não assim. Há sempre algures no texto qualquer coisa especialmente para nós. Há sempre um pormenor, uma palavra, uma expressão facial que nos toca, ou nos faz rir, como ainda não tinha feito nos espectáculos ou ensaios anteriores. É incrível como nós, ouvindo tudo pela 600ª vez, voltamos a sorrir, voltamos a gritar ou a chorar. Voltamos a vir cansados, despenteados pelo mundo lá fora, hoje mais vulneráveis ou mais irritados, e ainda assim tudo se repete: as falas e o choque, as gargalhadas e as palmas, bem como tudo o que temos de fazer para que a mensagem passe: quer estejamos bem ou mal, aflitinhos ou com sono. Tudo para que Alguém nasça algures no público, de todas as vezes.
Incrível como nós, todos tão diferentes, ficamos todos imóveis, espectantes, atrás dos panos, na mesma parte do teatro que já todos sabemos de cor, como se tambem nós o fizéssemos, como se colectivamente nos apaixonasse aquele gesto pela primeira vez. E as pessoas vêem. Vêm, aplaudem, vão embora. Às vezes voltam no dia seguinte. Vêem três homens milimetricamente ajoelhados num chão de azulejos, umas roupas estranhas, dois anjos, um cenário. Não vêm a multidão escondida, sentada e sobretudo de pé, desorganizada e espectante.
Não vêem o senhor que a todos cativou. Aquele senhor pequenino, já velhinho, com uma pronúncia estranha, que a todos conhece sem que ninguém saiba - porque não é preciso saber. Aquele senhor que guarda e cuida um génio, condignamente, humildemente. Aquele senhor que sonhou e montou e passou. Que não chegou atrasado, nem parte cedo de mais. Aquele senhor que também foi São José, que também foi Anjo, que tambem foi Casimiro, que também foi Caifás e Pedro e Judas, e o cego de nascença. Que observa, que ama assim como ele sabe. Que, a cada vez que o procurámos, nos ensinou a cultura, a alegria, o temor, mas sobretudo, a simplicidade de Deus.
Anjos e Magos ainda em cena, 18 e 19 de Dezembro, nas Patameiras.