Um blog acerca da concordância entre o pensamento e o objecto do pensamento. Por meio de tentativas, erros e silogismos parvos, usando de alguma dialéctica, muita metafísica e muito pouco distanciamento crítico. O eu não existe. Mas os pijamas sim.
terça-feira, maio 03, 2016
For ever, dizias tu.
Porque é que eu tenho de viver esse para sempre sozinha?...
"Porque eu amei-te como se fossem eternos a glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência e nem sequer me resta a tua ausência."
E eu fecho os olhos para te ver.
Para te ter, ouvir de novo.
Passam cinco anos sem o teu abraço, e eu continuo a respirar-te sempre. É como se tivesses sido um sonho que me invadiu de vez.
Encontra-me, muda-me então. Assim, sempre. Para sempre.
quarta-feira, outubro 02, 2013
(in-bras)
domingo, maio 12, 2013
Estágio de observação
É ser pequenina e grande ao mesmo tempo, fazer perguntas e responder-lhes. É teste e ensaio, é bom e dói. Asneira, reconhecimento, prova, tentativa, sucesso. Absorver. Absorver, absorver, absorver! Pensar. PENSAR.
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos,
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e do que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.
quinta-feira, outubro 25, 2012
Mas não é isto.
terça-feira, abril 06, 2010
Sol da meia-noite
não sem homem há morte
não há homem sem morte
não sem morte há homem
não sendo homem a morte
não sendo morte o homem
vai sendo o homem a morte
vai sendo morte o homem
falando não a morte
falando não o homem
vai sem homem a morte
vai sem morte o homem
Ernesto
quinta-feira, novembro 26, 2009
morar
Queria contar-te uma coisa, sabes?... É. Mas para isso preciso de remontar às ervilhas que comi aqui no Verão e que, para desgosto póstumo de Exupéry, me deixaram estragada. Cresci então uma ervilha na barriga. Trago-a comigo, e ela cresce. É uma ervilha estragada – é aquela que me avariou.
Hoje sento-me num canto, mesmo debaixo da estante dos Ésses (Rodrigues dos Santos e Saramago espreguiçavam-se escandalosamente ao longo das prateleiras mais baixas) e colho um Silva. Uma Gota de Chuva, dizia ele. Uma gota de chuva. E só bastou.
No caminho para a continuação da minha gestação, esbarrei com O’Neil, que estava sentado mesmo a seguir à esquina da ala do Camões lírico. Falou-me da vertigem que nós éramos, a vertigem entre o real e o sonho, disse ele, com aquele olhar de quem semeia mas não olha para onde. E já o Vergílio tentou, quando era vizinho, morava no 5º andar, lembro-me tão bem... Falava de relógios e de velhos e coisas do género. Tinha de repetir sempre o que ele dizia para poder perceber ao menos o encadeamento das palavras, até que emudeceu.
Mas só aquela estava estragada. Só aquela me estragou. Só aquela não traguei, tendo deixado de poder tragar. Era intratável. O infame!
É isso. Desculpa. Estou estragada. Um homem morto e desgostoso tem a culpa. Ele é que não arrumou antes de partir, e eu tropecei naquele quarto... Eu farei, a sério que sim. Fazer sempre a cama antes de ir.
sábado, maio 09, 2009
Pensar incomoda como andar à chuva...
terça-feira, abril 14, 2009
Fragilidade
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol, nos céus, escurecido,
Foi do monte libré, gala do prado.
- Esse nácar, em cinzas desatado,
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse Estio em Vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.
- Se a nao, o Sol, a rosa, a Primavera,
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago,
- Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, Primavera, Sol, baxel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
Francisco de Vasconcelos
- Gostei tanto do poema...é tudo verdade! Sinto-o hoje na minha pele.
